FIDC avança 81,8% e prepara nova escala de R$ 6 bilhões

Uncategorized

As estatísticas monetárias do Banco Central mostram que o crédito no Brasil encerrou o último ano acima de R$ 5 trilhões em saldo total, sustentado por crescimento nominal contínuo, mas acompanhado de uma mudança relevante na qualidade e no custo das operações. O crédito direcionado perdeu tração, enquanto o crédito livre concentrou a maior parte da expansão, com taxas médias elevadas, prazos mais curtos e critérios mais rígidos, sobretudo para pessoas jurídicas. No segmento empresarial, o avanço do estoque convive com concessões mais seletivas, spreads elevados e menor apetite bancário ao risco, combinação que pressiona o caixa das companhias e reduz a eficácia do crédito tradicional como instrumento de financiamento.

Nesse ambiente, a Azumi Investimentos aparece como parte do movimento de expansão do crédito privado no país. Entre 2022 e 2025, o patrimônio líquido do FIDC avançou de R$ 364,1 milhões para R$ 3,07 bilhões, um crescimento superior a 8 vezes em 3 anos. A evolução reflete um movimento gradual e contínuo, alinhado à expansão do crédito privado e à maior demanda por estruturas reguladas, com governança e controle de risco mais rigorosos. A progressão ano a ano evidencia essa dinâmica. Em 2023, a base chegou com R$ 1,65 bilhão em patrimônio. Em 2024, mesmo em um cenário de juros elevados e maior seletividade bancária, o volume de patrimônios avançou para R$ 2,40 bilhões. Em 2025, a consolidação desse movimento levou o volume a superar R$ 3 bilhões, representando um aumento de 81,8% nos últimos 3 anos e confirmando que o avanço do crédito estruturado não foi pontual, mas parte de uma transformação mais ampla do mercado.Essa é a avaliação de Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos: “Estamos hoje com 126 fundos sob administração, sendo 77 FIDCs, o que mostra que o avanço do crédito estruturado deixou de ser pontual e passou a refletir uma mudança consistente na demanda por estruturas mais sofisticadas e alinhadas ao novo ambiente regulatório e de capital”.

Os dados ajudam a explicar essa migração. Apesar do crescimento do estoque total de crédito, a concessão para empresas segue concentrada em perfis de menor risco, enquanto companhias médias e operações ligadas ao capital de giro enfrentam maior restrição de acesso. Para Edgar Araújo, a mudança é consequência direta do atual desenho do sistema financeiro. “Apesar do crescimento do crédito no sistema, o acesso não acontece de forma homogênea. As empresas médias e as operações de capital de giro são as que mais sentem a restrição. Estruturas de mercado passaram a cumprir esse papel justamente por permitirem operações alinhadas ao fluxo real de caixa, com governança e previsibilidade”, afirma.

Para 2026, a meta da instituição é atingir R$ 6 bilhões em volume estruturado. À medida que as estatísticas oficiais apontam para um sistema bancário mais concentrado e seletivo, o crédito privado se consolida como um canal complementar e, em muitos casos, essencial para o financiamento corporativo. “O crédito privado entra em um novo ciclo no Brasil, marcado por escala e disciplina operacional. Com um sistema bancário mais concentrado e seletivo, as estruturas de mercado deixam de ser alternativas pontuais e passam a ocupar um papel central no financiamento da economia real”, diz Araújo. O movimento reforça a leitura de que o próximo ciclo do crédito no país será cada vez mais orientado por escala, disciplina e recorrência, com instrumentos de mercado assumindo papel central na economia real.