Banco Master e a premissa do Cubo Mágico: Como entender esse quebra-cabeça e retomar a confiança no mercado financeiro – Artigo por Pedro Ricco, CEO do Delta Global Bank.
Os recentes desdobramentos envolvendo o Banco Master e instituições parceiras reacenderam um alerta importante no mercado financeiro brasileiro: a fragilidade da confiança em um dos segmentos mais relevantes do sistema de crédito, o consignado. Mais do que um episódio isolado, o caso expõe vulnerabilidades estruturais em uma cadeia complexa, que envolve cessão de carteiras, fundos de investimento, FIDCs e diversos intermediários responsáveis por conectar esses ativos ao mercado de capitais.
O ponto central dessa crise não está apenas em quem investiu ou em quais relações foram estabelecidas, mas na dificuldade de identificar, com clareza, onde esses ativos estão, qual é o seu lastro real e quais níveis de alavancagem existem ao longo da estrutura. Quando essas respostas não são evidentes, o risco percebido aumenta — e a confiança, elemento fundamental do sistema financeiro, começa a se deteriorar. Em mercados baseados em crédito, essa perda de confiança costuma ter efeitos rápidos e amplificados.
Historicamente, o crédito consignado sempre foi visto como um segmento de risco controlado, justamente por contar com mecanismos de desconto em folha e previsibilidade de fluxo de pagamentos. Essa característica fez com que essas carteiras se tornassem ativos amplamente utilizados em operações de funding e estruturas de investimento. No entanto, à medida que esses créditos passam por múltiplas cessões e são empacotados em estruturas financeiras cada vez mais sofisticadas, a rastreabilidade dos ativos se torna um desafio relevante. Nesse contexto, a falta de transparência deixa de ser um problema pontual e passa a afetar todo o ecossistema.
É importante destacar que, em momentos como este, o impacto não se restringe às instituições diretamente envolvidas nos episódios mais visíveis. A crise de confiança tende a contaminar o mercado como um todo, inclusive bancos, fundos e originadores que operam com modelos sólidos, governança adequada e ativos bem estruturados. O resultado prático é um encarecimento generalizado do capital, maior seletividade por parte dos investidores e, em alguns casos, uma pausa estratégica para reavaliação de riscos, exposição e modelos de operação.
Outro fator que contribui para esse cenário é a própria dinâmica operacional do consignado no Brasil, que envolve uma extensa cadeia de repasses entre estados, prefeituras, órgãos públicos, bancos e fundos de investimento. Atrasos operacionais, desencontros de informação e assimetrias na comunicação, muitas vezes sistêmicos, podem ser interpretados pelo mercado como sinais de fragilidade quando não há clareza suficiente sobre prazos, fluxos e responsabilidades ao longo da cadeia.
Além disso, episódios de ruído reputacional acabam reforçando uma percepção de risco que não distingue, no curto prazo, operações bem estruturadas daquelas que apresentam fragilidades. Esse efeito colateral penaliza todo o setor, reduz o apetite ao risco e compromete a eficiência do crédito, inclusive para instituições que mantêm padrões elevados de governança e controle.
O caso do Banco Master evidencia, portanto, a necessidade urgente de avanços em governança, padronização de informações e rastreabilidade dos ativos ao longo de toda a cadeia do consignado. Mais do que atender a exigências regulatórias, trata-se de preservar a credibilidade de um mercado que é essencial para o financiamento do setor público e para milhões de servidores e beneficiários em todo o país.
Sem transparência, qualquer ruído tende a ganhar proporções maiores do que deveria. E, em um ambiente financeiro cada vez mais sensível a riscos reputacionais, a confiança passa a ser tão valiosa quanto o próprio lastro dos ativos. Reforçar mecanismos de controle, comunicação clara e governança consistente não é apenas uma resposta a crises pontuais, mas um passo indispensável para a sustentabilidade, a maturidade e a estabilidade do mercado de crédito consignado no longo prazo.
Autor: Pedro Ricco – CEO do Delta Global Bank
Formado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina, com pós-graduação em Finanças pela FGV e Mestrado em Economia pelo Insper. Possui ampla experiência no mercado financeiro, com passagens por instituições como Itaú e Bradesco, atuando em mesa de operações. É certificado CFP e Ancord e CEO do Delta Global Bank, banco digital especializado em soluções financeiras para o setor público.
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