Análise XP fevereiro/2026: Bolsa brasileira é beneficiada pela degradação do dólar

Análise

Análise XP fevereiro/2026: Bolsa brasileira é beneficiada pela degradação do dólar

Uma rotação estrutural dos EUA para Mercados Emergentes ganha tração, com o Brasil emergindo como um destino natural de fluxos

Fonte: XP Research. 2 de fevereiro de 2026

Veja trechos do relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).

Cenário-base: A rotação EUA → Emergentes deve permanecer intacta ao longo dos próximos trimestres, impulsionada pela desvalorização estrutural do dólar, pelo risco-retorno cada vez mais esticado das ações americanas e pela demanda sustentada por ativos reais em um ambiente de reflação tolerada pelos formuladores de política. Nesse regime, os juros globais mais elevados refletem dinâmicas fiscais e inflacionárias — e não um aperto das taxas reais —, o que dá suporte a commodities e ativos reais. O Brasil se destaca como um beneficiário de beta elevado, dada a continuidade do ciclo doméstico de afrouxamento monetário, valuations relativos atrativos, exposição favorável aos termos de troca e forte representatividade em mineração & siderurgia.

Posicionamento: Mineração & Siderurgia como expressão central da tese de desvalorização do dólar e reflação — exposição direta a ativos reais precificados em dólar, com alavancagem operacional ao retorno positivo das commodities; plataformas de Mercado de Capitais — beneficiárias da rotação global dos EUA para ações à medida que os juros reais domésticos comprimem; AURA33 como uma posição de hedge de alta convexidade e geração de alfa — exposição alavancada ao ouro em um regime de desvalorização do dólar, sustentada por forte execução micro e disciplina de capital.

Riscos negativos: Um cenário de desinflação clara nos EUA que restaure a credibilidade do Fed, mantenha as taxas reais estruturalmente positivas e enfraqueça a narrativa de desvalorização do dólar; alta dos juros reais nos EUA decorrente de um ciclo de afrouxamento atrasado ou aquém do esperado (“juros altos por mais tempo”), fortalecendo o dólar e desacelerando os fluxos para emergentes; um evento global desordenado de aversão ao risco, levando a uma redução indiscriminada de risco em emergentes; deterioração de política econômica ou ruído fiscal doméstico no Brasil, reintroduzindo prêmios de risco locais e interrompendo o ciclo de afrouxamento monetário.

Riscos de alta: Persistência de pressões reflacionárias sem novo aperto monetário, reforçando a narrativa de desvalorização do dólar e acelerando a demanda por ativos reais e commodities; desempenho de commodities acima do esperado, melhorando os termos de troca e a dinâmica de fluxos para o Brasil, desencadeando um ciclo de afrouxamento doméstico mais rápido ou mais profundo do que o atualmente precificado, catalisando re-risking doméstico e entradas adicionais de fluxos em ações.

O forte desempenho das ações brasileiras deve ser interpretado como a expressão local de uma mudança mais ampla de regime global, e não como um movimento puramente idiossincrático.

Vemos o ambiente atual como um regime de desvalorização do dólar e reflação tolerada, no qual o risco-retorno das ações americanas se encontra cada vez mais esticado, os ativos reais recuperam relevância como instrumentos de hedge em carteiras e o capital passa a rotacionar gradualmente dos ativos financeiros dos EUA para commodities e emergentes ligados a commodities.

Juros globais mais elevados, nesse regime, não refletem condições monetárias reais mais restritivas, mas sim dinâmicas fiscais, tolerância à inflação e restrições do lado da oferta. Assim, não são inerentemente negativos para commodities ou ações de emergentes. Pelo contrário, altas de juros impulsionadas por reflação historicamente coincidem com melhor desempenho de metais, mineração e mercados com forte peso de ativos reais.

Dentro desse arcabouço, o Brasil se destaca como um beneficiário de alta convexidade. O mercado combina exposição direta a metais e commodities, um ciclo doméstico de afrouxamento monetário em curso — que favorece ações sensíveis a juros — e posicionamento local ainda leve.

Os fluxos estrangeiros já começaram a validar a tese, enquanto o re-risking doméstico permanece como uma potencial segunda perna do movimento. Nosso posicionamento reflete esse regime.

Favorecemos Mineração & Siderurgia como a principal expressão da tese de desvalorização do dólar, complementada por plataformas de Mercado de Capitais alavancadas à realocação de ativos para fora da renda fixa, além de nomes domésticos em meio a expectativa de cortes de juros no Brasil e uma economia resiliente (MELI, SMFT, CYRE, IGTI).

Movimentos recentes nas taxas de juros globais apontam para uma reprecificação ampla e sincronizada das curvas de rendimento nos mercados desenvolvidos, abrangendo o curto prazo, o miolo da curva e — sobretudo — as taxas a termo de longo prazo.

Esse padrão sugere uma reavaliação estrutural da âncora nominal de longo prazo, e não um choque de política específico de um país ou a repetição de episódios pontuais de aperto, como o taper tantrum de 2013.

Nas principais economias desenvolvidas — incluindo EUA, Europa núcleo, Japão, Reino Unido e mercados desenvolvidos ligados a commodities — as taxas subiram de forma consistente nos vértices de 2 anos, 10 anos e nas taxas a termo de longo prazo (10Y10Y e 10Y30Y). A presença de pressão altista simultânea nessas maturidades é relevante.

As taxas de curto prazo refletem posturas de política monetária restritivas, porém estáveis, enquanto os movimentos nos prazos médios e longos vão muito além de qualquer horizonte realista de atuação da política monetária. O sinal mais informativo vem justamente das taxas a termo de longo prazo.

As altas observadas nos juros 10Y10Y e 10Y30Y em diversas regiões indicam que os mercados não estão apenas reprecificando crescimento de curto prazo ou funções de reação dos bancos centrais, mas sim reavaliando a tolerância à inflação no longo prazo, as dinâmicas fiscais e a credibilidade da âncora nominal.

Essas maturidades são, em grande medida, isoladas das expectativas de política monetária de curto prazo, o que as torna um termômetro mais limpo de mudanças de regime. É importante notar que essa reprecificação tem ocorrido de forma ordenada e persistente, e não abrupta ou guiada por volatilidade.

Diferentemente de choques de política, que tendem a se manifestar por movimentos bruscos na ponta curta e inversões de curva, o ambiente atual é caracterizado por pressão altista relativamente paralela ao longo da curva e também nos prazos longos, consistente com uma mudança gradual, porém estrutural, nas premissas macroeconômicas.

O caráter global desse movimento reforça ainda mais essa interpretação. Uma reprecificação simultânea em economias com perfis de crescimento, posições fiscais e arcabouços monetários bastante distintos enfraquece explicações idiossincráticas.

Em vez disso, aponta para um regime macro compartilhado, no qual os mercados estão se ajustando a taxas nominais estruturalmente mais elevadas no longo prazo em escala global.

O mercado acionário brasileiro tornou-se menor nos últimos anos, aumentando sua sensibilidade a fluxos marginais. A liquidez de mercado não acompanhou o crescimento da capitalização.

Após atingir um pico em 2020–21, o ADTV se estabilizou em níveis inferiores aos compatíveis com o tamanho atual do mercado, reduzindo sua capacidade de absorver demanda incremental. Ao mesmo tempo, a oferta líquida de ações segue restrita.

A atividade de IPOs e follow-ons tem sido modesta em relação ao volume financeiro total do mercado, enquanto recompras de ações e fechamentos de capital continuam retirando oferta investível.

A amplitude do mercado também diminuiu. O número de empresas listadas caiu, enquanto a capitalização média por companhia aumentou, concentrando os fluxos em um conjunto menor de ações de grande capitalização.

Nesse contexto, com a retomada dos fluxos estrangeiros e o posicionamento doméstico ainda leve, essas restrições de oferta implicam alta convexidade aos fluxos: em um mercado menor e menos líquido, até realocações moderadas podem gerar movimentos de preços desproporcionais.

O atual regime macroeconômico — definido pela persistência inflacionária, taxas reais estáveis e uma reprecificação global dos âncoras nominais de longo prazo — é estruturalmente favorável aos ativos reais.

Dentro desse contexto, ações de mineração e siderurgia representam uma das expressões mais diretas e convexas desse tema. Historicamente, o setor de mineração e siderurgia tem superado o mercado em ambientes nos quais as expectativas de inflação permanecem elevadas e resistentes à compressão, mesmo sem novas altas na inflação implícita.

O desempenho tem sido impulsionado pela persistência, e não pela aceleração inflacionária, reforçando a importância da tolerância à inflação, e não de surpresas inflacionárias.

Do ponto de vista fundamental, o setor se beneficia de elevada alavancagem operacional aos preços das commodities, permitindo expansão de margens em regimes reflacionários.

Isso se reflete na relação estreita entre os preços das commodities subjacentes e os retornos das ações de mineração.

Pelo lado da oferta, o pano de fundo segue estruturalmente restrito. Apesar de preços mais elevados, a disciplina de CAPEX tem persistido e o crescimento da produção tem se mantido relativamente estável ou em declínio.

Longos prazos de maturação dos projetos, disciplina de capital e restrições regulatórias continuam limitando respostas mais rápidas da oferta.

Em conjunto, a persistência das expectativas de inflação, a alavancagem operacional e o crescimento restrito da produção sustentam uma relação risco-retorno atrativa para ações de metais & mineração.

Diferentemente de ativos sensíveis à duration, o setor não depende de quedas nas taxas reais para performar, reforçando seu papel como uma alocação estrutural no atual regime macroeconômico e como uma ponte natural para mercados expostos a commodities, como o Brasil.

As ações brasileiras mantêm uma sensibilidade estrutural ao ciclo de commodities, tanto por meio da composição do índice quanto pelos canais de transmissão macroeconômicos.

O setor de Mineração & Siderurgia segue com um peso relevante nos principais índices de ações do Brasil, bem acima da maioria dos pares regionais e da média dos mercados emergentes, o que estabelece uma ligação direta entre as condições globais das commodities e o desempenho do índice agregado.

O principal canal de transmissão, no entanto, são as taxas reais de juros.

Historicamente, períodos de juros reais mais baixos ou limitados coincidiram com expansão de múltiplos, enquanto a alta das taxas reais comprimiu valuations — evidenciando que as commodities importam não apenas via lucros, mas também por meio da dinâmica inflacionária e da taxa de desconto das ações.

Os termos de troca do Brasil funcionam mais como um amplificador do que como um fator isolado. Embora a correlação de longo prazo com o desempenho das ações seja moderada, grandes pontos de inflexão nos termos de troca tendem a coincidir com pontos de virada do mercado acionário, especialmente quando reforçados por um ambiente favorável de juros reais.

No cenário atual, a combinação de preços de commodities resilientes e taxas reais mais próximas do pico do que do piso sugere que as ações brasileiras permanecem assimetricamente expostas a um eventual cenário de reflação sustentada ou a uma alta adicional das commodities, mesmo sem uma relação mecânica um-para-um.

Conteúdo: Relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).

Leia mais:

Aplicativo Grana Capital: a solução para o Imposto de Renda de investimentos na bolsa de valores Use o cupom 0349825 e ganhe R$ 90 de desconto no Plano Mais Grana Anual.

NLFA11 – Conheça o ETF de crédito privado da Nu Asset

TAGC11 – Conheça o Fiagro da TAG Edge

GOLB11 – Conheça o ETF de Ouro negociado na bolsa de valores

Nu Asset lista ETF de Tesouro Selic na B3

GICP11 – Genial anuncia ETF de crédito privado

ETFs da Nu Asset investem em renda fixa nos EUA

BlackRock e B3 expandem listagem de ETFs globais