Transporte ultraexpresso é cada vez mais demandado por empresas e indústrias

Antifragilidade: logística ultraexpressa ganha força no Brasil

Logística Negócios

A FedEx anunciou, em janeiro de 2026, o encerramento de suas operações de transporte doméstico no Brasil, após mais de três décadas de atuação no país. A decisão reflete um cenário cada vez mais desafiador para o setor: gargalos globais, taxações severas, conflitos geopolíticos e, internamente, deficiência da infraestrutura rodoviária, roubo de cargas constantes, burocracia excessiva e altos custos operacionais.
Nesse contexto, ganha força o conceito de antifragilidade, introduzido por Nassim Nicholas Taleb, que descreve sistemas capazes de se fortalecer diante do caos. Para Marcelo Zeferino, chief commercial officer (CCO) da Prestex, a logística ultraexpressa é a tradução prática dessa filosofia. Entenda o porquê nesta entrevista:

1. A saída da FedEx do transporte doméstico no Brasil foi um marco. O que esse movimento revela sobre o cenário atual da logística no país?
 Marcelo Zeferino: Gargalos globais, taxações severas, conflitos geopolíticos e, internamente, problemas como infraestrutura rodoviária deficiente, roubo de cargas, burocracia excessiva e altos custos operacionais tornam o ambiente cada vez mais desafiador.

2. Os custos do transporte rodoviário e aéreo seguem em alta. Como isso impacta o modelo ultraexpresso?
 Marcelo Zeferino: Segundo o Índice de Frete Rodoviário da Edenred, o preço médio por quilômetro rodado subiu 14,46% em 2025. No aéreo, essencial para o modelo ultraexpresso, os custos também são elevados. Apesar da demanda ter crescido 5,5% até novembro de 2025, com projeção positiva para 2026, as margens de lucro das companhias aéreas ainda são pequenas, abaixo de 4%. Isso exige ainda mais eficiência e planejamento estratégico.

3. O conceito de antifragilidade tem ganhado espaço. Como ele se aplica à logística?
 Marcelo Zeferino: Não basta resistir às crises. Ganha competitividade quem consegue crescer de forma ágil diante das adversidades e imprevistos. A logística ultraexpressa é a prática dessa filosofia.

4. A redução do lead time é uma exigência crescente. Como isso pressiona as empresas?
 Marcelo Zeferino: O lead time cada vez menor já não é apenas uma exigência do consumidor final (B2C), mas também das empresas B2B. Essa pressão fortalece a antifragilidade das operadoras. Se uma compra pessoal chega em poucas horas ou dias, por que no B2B isso leva semanas ou meses? É uma mudança cultural: o transporte urgente precisa deixar de ser exceção e passar a ser estratégia.

5. Há exemplos concretos de ganhos com a logística ultraexpressa?
 Marcelo Zeferino: Sim. Na indústria automotiva por exemplo, a Prestex conseguiu reduzir paradas de linha que custariam milhões por hora. Na saúde, uma empresa reduziu de 36 para 7 dias o lead time e cortou 26% dos custos operacionais. É a antifragilidade aplicada à logística.

6. Quais setores já incorporaram esse modelo?
 Marcelo Zeferino: Hoje, setores como agro, alimentos, papel e celulose já utilizam o transporte ultraexpresso em situações específicas. A busca por eficiência tem levado empresas a reavaliar estoques elevados e considerar alternativas mais ágeis.

7. E quanto ao espaço físico nos galpões logísticos?
 Marcelo Zeferino: O espaço virou ativo raro e caro, principalmente em grandes metrópoles. A logística ultraexpressa permite estoques enxutos e adaptação ao consumo dinâmico. Como aponta o World Economic Forum, a volatilidade deixou de ser cíclica e passou a ser permanente. Quem não se adaptar rapidamente pode enfrentar sérias dificuldades.

8. O que esperar para os próximos anos?
 Marcelo Zeferino: Veremos maior integração tecnológica para prever gargalos antes que aconteçam, parcerias globais ampliando a capilaridade e uma mudança cultural. A logística ultraexpressa estará cada vez mais presente na rotina corporativa. Em um cenário marcado pela imprevisibilidade, decisões precisam ser rápidas e mudanças ainda mais rápidas. As empresas que entenderem isso primeiro terão condições de liderar o mercado.

“Como aponta o World Economic Forum, a volatilidade deixou de ser cíclica e passou a ser permanente. Quem não se adaptar rapidamente pode enfrentar sérias dificuldades”

Marcelo Zeferino, CCO da Prestex