Perdedores de 2024 foram os vencedores de 2025
Veja trechos do Relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).
Ações brasileiras se beneficiam do otimismo com o ciclo de afrouxamento monetário nos EUA. À medida que as preocupações dos investidores com as tensões entre Brasil e EUA foram gradualmente diminuindo, os efeitos positivos da rotação global voltaram a ganhar força para o Brasil, desta vez impulsionados principalmente pelas expectativas em torno do início do ciclo de afrouxamento monetário nos EUA. Em agosto, em particular, a probabilidade implícita de um corte de 25 bps na reunião de setembro do Federal Reserve subiu de 37% para 88%, contribuindo para mais uma onda de desvalorização do dólar.
Como discutimos em nosso relatório Ações, durante os ciclos de corte de juros nos EUA, as ações brasileiras tendem a superar as ações dos EUA e globais após cortes de juros do Fed.
Por outro lado, observamos uma breve correção no início de outubro, causada pela retomada das tensões comerciais entre EUA e China e por eventos políticos domésticos, incluindo a votação da MP 1303 e da reforma do imposto de renda no Congresso. Esse movimento negativo, no entanto, foi de curta duração.
Fatores domésticos ganham protagonismo.
Embora fatores globais tenham sido os principais determinantes da precificação dos ativos brasileiros ao longo da maior parte de 2025, a partir de meados de outubro os fatores domésticos passaram a ocupar o centro das atenções.
Entre 10 de outubro e 4 de dezembro, o Ibovespa registrou um rali histórico, com alta de 16,9% em reais e 20,9% em dólares.
Três fatores principais sustentaram esse movimento: (1) o aumento do otimismo em relação ao início do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, diante de leituras de inflação mais benignas, com o mercado precificando o primeiro corte entre janeiro e março de 2026; (2) uma sólida temporada de resultados do 3T25; e (3) o trade eleitoral.
Em 5 de dezembro, no entanto, após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, o índice sofreu uma queda relevante, e o cenário eleitoral de 2026 passou a ocupar posição central na atenção do mercado.
Os perdedores de 2024 foram os vencedores de 2025
Observando o desempenho setorial, quase todos os segmentos registraram retornos positivos em 2025, com exceção de três setores ligados a commodities: Agro, Óleo & Gás e Papel & Celulose.
Em contraste, setores cíclicos como Educação e Construção Civil foram os principais destaques positivos (o oposto do observado em 2024) beneficiando-se do fechamento da curva de juros, que impulsionou um movimento de expansão de múltiplos.
No acumulado do ano, o Ibovespa apresentou retorno de 34,0%, dos quais 12,1% vieram das cinco maiores empresas do índice em termos de valor de mercado (VALE3, ITUB4, PETR4, AXIA3 e BBDC4), que juntas representam 35% do peso total do índice. O principal contribuidor foi VALE3, que sozinha respondeu por 5,3% do retorno do Ibovespa.
A ação apresentou desempenho fraco até agosto de 2025, mas engatou um forte rali posteriormente, impulsionada pela alta dos preços do minério de ferro, pelo otimismo em torno do anúncio de dividendos extraordinários (concretizado em novembro) e por uma dinâmica operacional positiva, com a flexibilidade do portfólio da companhia permitindo melhor adaptação a condições mais fracas do mercado chinês.
Entre os destaques positivos, Educação (+144,3%) foi impulsionado pelo desempenho de Cogna (+218,9%) e YDUQS (+42,3%), que superaram significativamente o Ibovespa, beneficiadas pelo fechamento da curva de juros e por um ponto de partida técnico favorável no início do ano, após perdas expressivas em 2024 (-65,0%).
O setor de Construção Civil (+80,5%) também se beneficiou de um ambiente macro mais favorável para papéis cíclicos, somado a uma dinâmica operacional positiva no setor.
Entre os destaques negativos, Agro (-27,4%) foi pressionado principalmente por Raízen (-57,8%), que segue enfrentando um cenário desafiador em meio ao seu processo de reestruturação e à elevada alavancagem financeira.
O setor de Óleo & Gás (-2,5%) foi outro ponto negativo, refletindo preços mais pressionados do petróleo (Brent, -18,5%).
Além disso, o setor registrou redução no posicionamento de investidores institucionais locais, caindo de 15,2% no início do ano passado para 13,4% mais recentemente.
Como se posicionar em 2026?
Mantemos preferência por empresas de alta qualidade, baixa alavancagem e sensíveis a juros, que tendem a se beneficiar de ciclos de afrouxamento monetário.
O que esperar para 2026?
Resumindo as nossas principais visões
1. No cenário global, seguimos esperando um ambiente ainda marcado por desafios fiscais, com os juros de longo prazo provavelmente permanecendo elevados nos mercados desenvolvidos, além da persistência de incertezas geopolíticas, em meio à postura errática de política econômica do presidente Trump e a uma guerra na Ucrânia que parece distante de uma solução.
2. No Brasil, os fatores domésticos tendem a ganhar maior relevância. Enquanto o desempenho dos ativos brasileiros em 2025 foi fortemente influenciado por fatores globais, acreditamos que, em 2026, os vetores locais devem prevalecer, em especial os temas de juros e eleições.
Em relação à política monetária, esperamos que o Copom reduza a Selic em 300 bps ao longo de 2026, para 12,00%.
No campo político, os investidores devem monitorar principalmente as perspectivas para a trajetória fiscal do país a partir de 2027.
3. Em relação às ações brasileiras, seguimos construtivos para 2026. A combinação de cortes de juros no Brasil e nos EUA, aliada a fundamentos corporativos ainda sólidos, reforça essa visão.
No entanto, o ciclo eleitoral e a trajetória fiscal serão determinantes-chave para avaliar se o rali de 2025 pode se sustentar ao longo do próximo ano.
4. Ações americanas: elevamos nossa visão de posicionamento abaixo do neutro para neutro, diante dos ventos favoráveis provenientes dos investimentos ao longo da cadeia de valor de inteligência artificial, do afrouxamento regulatório e do ciclo de flexibilização monetária.
Ainda assim, persistem incertezas relacionadas à política econômica, a uma eventual desaceleração do momentum em IA e às perspectivas do consumidor americano, especialmente das famílias de menor renda.
5. Fora dos EUA, a China permanece como nossa região preferida, sustentada pelo estímulo governamental em curso e pelo avanço em IA, seguida pelos mercados emergentes, que se beneficiam de fluxos globais e de um ciclo macroeconômico mais favorável.
Conteúdo: Relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).
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