A reforma tributária brasileira começa a provocar mudanças importantes na forma como as empresas lidam com impostos. A partir de 2026, o país inicia a fase de testes do novo modelo de tributação sobre consumo, baseado no chamado IVA dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Nesse contexto, surge uma alternativa que tem chamado a atenção de empresários e contadores: o chamado Simples Nacional híbrido.
Hoje, empresas enquadradas no Simples Nacional pagam diversos tributos de forma unificada, com alíquotas simplificadas. Porém, a nova legislação permite que essas empresas optem por recolher os novos impostos CBS e IBS pelo regime regular, mesmo permanecendo no Simples para os demais tributos. Na prática, isso cria um modelo misto de tributação.
Segundo Nathaniel Pereira, cofundador da NTW Franquia Contábil, essa possibilidade está prevista na legislação e pode mudar a estratégia tributária de muitas empresas. “A empresa continua no Simples Nacional para os demais tributos, mas passa a tratar o IBS e a CBS como se estivesse no regime regular. Esse modelo híbrido pode ajudar a empresa a se encaixar melhor na lógica de créditos do novo sistema”, explica.
O novo modelo tributário funciona de forma diferente do sistema atual. O IVA permite que empresas aproveitem créditos de impostos pagos nas etapas anteriores da cadeia produtiva. Por isso, companhias que vendem principalmente para outras empresas podem enfrentar pressão comercial se não gerarem créditos para seus clientes. Nesse caso, optar pelo regime regular para IBS e CBS pode tornar o negócio mais competitivo.
Ainda assim, a decisão exige cuidado. Segundo Pereira, cada empresa precisa avaliar sua estrutura de custos, margem de lucro e perfil de clientes antes de escolher o modelo. “Nem sempre a opção híbrida será a melhor. Em alguns casos, permanecer totalmente no Simples pode continuar sendo mais vantajoso. O ideal é fazer simulações e entender como os créditos e os preços vão se comportar”, afirma.
O ano de 2026 será um período importante de adaptação para as empresas. Nesse momento, os novos tributos começam a aparecer destacados nas notas fiscais, ainda em fase de testes e sem cobrança efetiva. A etapa serve para que empresas ajustem sistemas, parametrizem ERPs, revisem contratos e entendam como o novo modelo afetará preços e margens.
Para o especialista, esse período de transição deve ser usado para planejamento. “A reforma tributária não muda apenas a forma de pagar impostos. Ela afeta a formação de preços, os contratos comerciais e a gestão das empresas. Quem começa a estudar essas decisões agora terá mais segurança para atravessar a transição até o novo sistema estar totalmente implementado”, conclui.