Nos últimos anos, vimos essa realidade mudar no país. O que por muito tempo foi um diferencial passou a ser uma exigência legal para todas as empresas. Esse novo cenário está consolidado na nova redação da NR-1 – Norma Regulamentadora nº 1, que entrará em vigor em maio de 2026. A partir dessa data, as organizações também terão de identificar, avaliar e gerir riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse, assédio, sobrecarga e insegurança psicológica.
Embora seja um avanço significativo, os desafios práticos são claros. Como mensurar um risco psicológico, um conceito tão abstrato e subjetivo? É nesse ponto que a inteligência artificial pode se tornar uma aliada, desde que utilizada de forma adequada. Com sua capacidade de processar grandes volumes de dados, a IA pode identificar sinais de alerta antes que se transformem em problemas graves. Não se trata de substituir a experiência humana, mas de potencializá-la, ajudando a enxergar até o que, à primeira vista, poderia passar despercebido.
Para que isso funcione, transparência e ética no uso dos dados são fundamentais. A tecnologia só será bem-sucedida se houver confiança. Cada colaborador precisa saber exatamente quais informações estão sendo analisadas e com qual finalidade — e perceber que essa prática trará benefícios para ele, não prejuízos.
Nesse processo, o RH tem papel central na construção desse vínculo de confiança. Cabe a ele assegurar que a IA seja percebida como um instrumento de apoio à saúde mental e não como mecanismo de controle.
Preparação para a nova NR-1: passos essenciais
Com a entrada em vigor da norma, as empresas que se anteciparem terão mais segurança e eficiência na adaptação. Entre as principais ações recomendadas estão:
- Solicitar a atualização do PGR para incluir os riscos psicossociais.
- Realizar diagnósticos regulares de clima e engajamento.
- Capacitar líderes para interpretar indicadores e agir com empatia.
- Estabelecer canais de escuta segura e anônima.
- Documentar todas as medidas preventivas e corretivas, tanto para fins legais quanto para aperfeiçoamento contínuo.
O futuro da gestão de pessoas será híbrido: dados para orientar e empatia para agir. A inteligência artificial ajuda a identificar e prever cenários, mas o verdadeiro poder de mudança está em como aplicamos essas informações para criar ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e produtivos.
A nova NR-1 é clara: saúde mental não é um privilégio, é um direito. Se conseguirmos unir humanidade e tecnologia, construiremos não apenas organizações preparadas para cumprir a lei, mas também negócios mais humanos, atrativos e sustentáveis a longo prazo.