A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), conduzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, reacendeu o debate sobre a responsabilidade das empresas na gestão de riscos ocupacionais, especialmente os psicossociais. Com a ampliação das exigências relacionadas ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), organizações de diferentes setores têm sido pressionadas a revisar políticas internas, processos e indicadores ligados à saúde física e mental no ambiente de trabalho.
Algumas empresas afirmam já operar modelos estruturados de gestão de saúde ocupacional alinhados às diretrizes previstas na norma. A Redarbor Brasil, que reúne as marcas Catho, Infojobs e Pandapé no país, declara manter um programa interno organizado em quatro dimensões: corpo, equilíbrio, conexões e futuro. As ações trazem iniciativas voltadas à saúde física, mental, social, financeira, além de incentivar equilíbrio do dia a dia e desenvolvimento contínuo.
A NR-1 reforça a obrigatoriedade de identificação, avaliação e controle de riscos ocupacionais, ampliando o olhar para fatores que vão além da segurança física e passam a incluir aspectos relacionados à saúde mental e às condições organizacionais. O tema, no entanto, é sensível no Brasil. Em 2024, foram registrados mais de 724 mil acidentes de trabalho no país, segundo dados atualizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego com base no eSocial e no registro previdenciário.
Já dados oficiais do INSS e do Ministério da Previdência Social consolidados pelo Data Cajuína mostram que o Brasil encerrou 2025 com 534 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, reforçando a necessidade de políticas preventivas e estruturadas.
O programa da Redarbor Brasil também contempla iniciativas de apoio à parentalidade, extensão de licenças maternidade e paternidade via Empresa Cidadã, auxílio-creche, participação nos resultados, trilhas de desenvolvimento profissional e parcerias educacionais. A proposta é estruturar e dar coerência a ações já existentes, ampliando o acesso e a previsibilidade dos cuidados oferecidos aos colaboradores.
“Quando falamos de NR-1, falamos de gestão de riscos, mas também de cultura organizacional. A norma reforça a importância de olhar para a saúde de forma integrada. Ter processos claros, acompanhamento e políticas estruturadas faz diferença do ponto de vista regulatório, mas principalmente na prevenção e na qualidade das relações de trabalho”, afirma Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil.
Para a executiva , o avanço da regulamentação tende a acelerar a profissionalização da gestão de saúde e segurança nas empresas brasileiras, exigindo monitoramento contínuo e integração entre áreas como RH, jurídico e liderança. Nesse cenário, organizações que já possuem práticas consolidadas partem de um estágio mais maduro de adaptação, enquanto outras ainda estão estruturando seus modelos para atender às exigências atuais.
Recentes alterações no capítulo 1.5 da NR-1, estabelecidas pela Portaria MTE nº 765/2025, estendem até 25 de maio de 2026 o prazo para que empresas se adaptem às novas exigências de gestão de riscos psicossociais, com inspeções educativas ao longo de 2025 e início de fiscalização com imposição de penalidades apenas a partir de 2026. As mudanças obrigam organizações a mapear, avaliar e controlar fatores que afetam a saúde mental no ambiente de trabalho, como estresse, sobrecarga e conflitos interpessoais, exigindo revisão de políticas internas e participação ativa dos trabalhadores.
“Não se trata apenas de cumprir uma obrigação legal, mas de reconhecer que fatores como bem-estar emocional, condições de trabalho e prevenção de riscos psicossociais são essenciais para a sustentabilidade das organizações. Essa transição exige diálogo, planejamento e o envolvimento de todas as áreas, e quanto mais cedo as empresas se anteciparem, mais estruturada será essa mudança cultural e prática no ambiente laboral”, conclui Prado.