Conscientização e informação preparam pequenas empresas para contratar PCDs

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A inclusão de profissionais com deficiência (PcDs) no mercado de trabalho ainda enfrenta desafios importantes no Brasil, em parte porque as contratações seguem concentradas em empresas de grande porte, impulsionadas pela obrigatoriedade da Lei de Cotas. Ao mesmo tempo, esse cenário evidencia um grande potencial pouco explorado com micro e pequenas empresas, que lideram a geração de empregos no país e podem ampliar o acesso a talentos e acelerar a inclusão. Segundo levantamento do Sebrae com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a novembro de 2025, os pequenos negócios foram responsáveis por cerca de 70% das vagas formais de trabalho geradas no Brasil.

Quando se trata do cenário de profissionais com deficiência, uma pesquisa realizada pela Catho, plataforma de empregos pioneira no Brasil, mostra que 57% das pessoas com deficiência entrevistadas estão desempregadas, sendo que metade busca recolocação de forma ativa. Além disso, cerca de 45% nunca tiveram uma experiência profissional amparada pela Lei de Cotas, o que indica que a exclusão vai além da obrigação legal e está ligada, muitas vezes, à falta de preparo das empresas para contratar de forma mais inclusiva.

Embora a Lei de Cotas seja aplicada apenas a organizações com mais de 100 funcionários, a diretora de recursos humanos da Redarbor Brasil, detentora da Catho, Patricia Suzuki, destaca que micro e pequenos negócios têm um papel fundamental na mudança desse cenário. “A inclusão de PcDs é uma pauta de negócio. Pequenas empresas conseguem adaptar processos com mais rapidez e criar ambientes realmente acolhedores. Ajustes no espaço físico, flexibilidade do modelo de trabalho, descrições de vagas mais objetivas, sensibilização da liderança e processos seletivos acessíveis, já fazem diferença na atração e retenção desses profissionais”, afirma.

O levantamento da Catho também mostra que mais de 40% dos candidatos PcD têm deficiência física, mas muitos enfrentam barreiras antes mesmo da contratação. Cerca de 38% não possuem laudo médico ou certificado do INSS e quase 30% não sabem como obter essa documentação, o que pode dificultar o acesso às vagas. Para empresas de menor porte, compreender essas realidades ajuda a conduzir processos seletivos mais justos e acessíveis. Como não estão sujeitas à exigência da Lei de Cotas, esses negócios podem contratar pessoas com deficiência sem a obrigatoriedade de apresentação de laudo, o que simplifica o processo e amplia as chances de inclusão, permitindo que a avaliação esteja centrada no que realmente importa: as competências e o potencial profissional.

“O interesse por oportunidades cresce de forma consistente. Em 2025, a Catho registrou um aumento de 79% no número de candidatos que se declaram PcD, apenas no primeiro semestre. Para as pequenas empresas, isso significa acesso a um banco de talentos ainda pouco explorado pelo mercado, formado por profissionais qualificados que enfrentam muito mais barreiras estruturais do que falta de competência. Na prática, há muitos PcDs com formação sólida, experiência relevante e alto nível técnico, prontos para contribuir desde que encontrem ambientes abertos e preparados para recebê-los”, destaca Suzuki.

Nesse contexto, a especialista explica que o primeiro movimento das micro e pequenas empresas é revisar a forma como recrutam. Usar uma linguagem mais clara nas descrições de vaga, deixar evidente quais habilidades são realmente necessárias e oferecer diferentes formatos de entrevista, como etapas on-line ou adaptadas, ajuda a reduzir barreiras logo no início. Também é importante que o dono ou responsável pelo recrutamento, esteja aberto ao diálogo, entendendo as necessidades do candidato sem fazer suposições ou generalizações.

A preparação do ambiente de trabalho também faz parte desse processo. Segundo Patricia, nem sempre são necessárias grandes obras ou altos investimentos, muitas vezes, reorganizar o espaço, flexibilizar horários ou adaptar ferramentas que a equipe já utiliza no dia a dia é suficiente para garantir autonomia e produtividade.

“A inclusão ocorre de forma legítima  quando a empresa entende que contratar uma pessoa com deficiência é estabelecer uma relação profissional baseada em competência, troca e crescimento conjunto. Empresas que praticam inclusão de forma autêntica se destacam como empregadoras responsáveis e humanas, cada vez mais valorizadas por talentos, clientes e parceiros”, finaliza Patricia Suzuki.