Previdência complementar rende 14% em 2026
“Trabalhamos com diferentes cenários porque o comportamento dos mercados ainda pode influenciar os resultados até o final do ano. No cenário de referência, projetamos rentabilidade de 14%, ativos da ordem de R$ 1,51 trilhão e uma diferença positiva entre superávits e déficits próxima de R$ 33 bilhões. Somados ao índice de solvência acima de 100%, são números que demonstram a robustez e a maturidade alcançadas pela previdência complementar fechada, com entidades estruturadas, governança consolidada e gestão profissional de recursos destinados primordialmente ao pagamento de benefícios”, afirmou Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), em entrevista coletiva realizada hoje (14/10).
ATIVOS DOS FUNDOS DE PENSÃO CRESCEM 82% EM DEZ ANOS E PODEM CHEGAR A R$ 1,51 TRILHÃO, COM RESULTADO POSITIVO DE R$ 33 BILHÕES EM 2026
- Abrapp trabalha com três cenários de rentabilidade para 2026, entre 11,7% e 14,77%, com cenário de referência de 14%
- Índice de solvência dos planos de Benefício Definido está acima de 100%, reforçando a solidez do sistema
- Previdência complementar fechada reúne 8,4 milhões de participantes, dependentes e assistidos e busca ampliar a cobertura no novo mundo do trabalho
São Paulo, 14 de outubro de 2026 – Os ativos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) cresceram cerca de 82% em termos nominais nos últimos dez anos, passando de R$ 790 bilhões em 2016 para R$ 1,438 trilhão em junho de 2026. O volume equivale atualmente a cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) e reforça a dimensão econômica alcançada pelo sistema de fundos de pensão brasileiro.
A evolução ocorreu de forma praticamente contínua ao longo do período. Os ativos chegaram a R$ 1,049 trilhão em 2020, R$ 1,176 trilhão em 2022, R$ 1,275 trilhão em 2024 e R$ 1,374 trilhão em 2025, antes de alcançarem R$ 1,438 trilhão em junho deste ano.
“Quando olhamos uma série de dez anos, fica mais clara a dimensão que a previdência complementar fechada alcançou no Brasil. Saímos de R$ 790 bilhões em ativos, em 2016, para mais de R$ 1,4 trilhão. É um patrimônio formado para garantir benefícios no longo prazo, mas que também tem um papel relevante na economia brasileira. Esse crescimento mostra a solidez do sistema e, ao mesmo tempo, aumenta nossa responsabilidade de ampliar a cobertura e levar a proteção previdenciária a uma parcela maior da população”, afirma Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp.
Renda fixa concentra 86,1% dos investimentos
A carteira de investimentos das EFPC somava R$ 1,362 trilhão em junho, com uma concentração crescente em renda fixa. A modalidade representava 86,1% dos investimentos, ou R$ 1,173 trilhão, ante 85,2% no encerramento de 2025, 82,9% em 2024 e 75,7% em 2021.
Do total aplicado em renda fixa, R$ 264,1 bilhões estavam em títulos públicos e R$ 900,7 bilhões em fundos de investimentos classificados no segmento. No sentido oposto, a participação da renda variável recuou de 15,8% da carteira em 2021 para 6,7% em junho de 2026. Ao final do primeiro semestre, eram R$ 91,3 bilhões nessa classe de ativos, dos quais R$ 55,7 bilhões aplicados diretamente em ações.
“A previdência complementar trabalha com horizontes de décadas, e isso exige disciplina na gestão dos recursos. A elevada participação da renda fixa reflete as condições atuais de mercado e a necessidade de buscar uma relação adequada entre retorno, risco e os compromissos de longo prazo dos planos. Mesmo em cenários de maior volatilidade, o foco permanece na segurança e na sustentabilidade dos benefícios”, afirma Devanir.
Ativos dos fundos de pensão podem chegar a R$ 1,51 trilhão em 2026, com resultado positivo de R$ 33 bilhões
Para o encerramento de 2026, a Abrapp estima que os ativos das entidades fechadas de previdência complementar possam alcançar R$ 1,51 trilhão. Para a rentabilidade, o Consolidado Estatístico trabalha com três cenários, que variam principalmente de acordo com o comportamento da renda variável: 11,70% no Cenário I, 14,00% no Cenário II e 14,77% no Cenário III.
No Cenário II, utilizado como referência pela Associação, a rentabilidade de 14% estaria associada a um superávit estimado em aproximadamente R$ 52 bilhões e déficit de R$ 19 bilhões, resultando em uma diferença positiva da ordem de R$ 33 bilhões. Nos demais cenários, essa diferença poderia variar entre R$ 28 bilhões e R$ 37 bilhões, acompanhando as diferentes hipóteses de rentabilidade da carteira.
A expectativa para o encerramento do ano reforça uma evolução que já aparece nos números do primeiro semestre. Em junho, 415 planos apresentavam superávit acumulado de R$ 41,4 bilhões, enquanto 184 registravam déficit de R$ 22,2 bilhões. Em 2024, os superávits somavam R$ 21,6 bilhões e os déficits, R$ 30,5 bilhões, indicando uma melhora relevante do quadro nos últimos dois anos.
Outro indicador da solidez do sistema é o índice de solvência dos planos de Benefício Definido (BD), que alcançou 102% em junho de 2026, considerando a média ponderada dos planos.
Superávits avançam e alcançam R$ 41,4 bilhões
Os dados do primeiro semestre também mostram uma posição favorável no equilíbrio dos planos. Em junho de 2026, 136 EFPC, reunindo 415 planos, apresentavam superávit acumulado de R$ 41,4 bilhões. No mesmo período, 84 entidades, com 184 planos, registravam déficit de R$ 22,2 bilhões. Isso significa que, entre os planos registrados nessas duas situações, havia mais de dois planos superavitários para cada plano deficitário.
A evolução também é positiva na comparação histórica recente. O volume de superávits passou de R$ 21,6 bilhões em 2024 para R$ 38,3 bilhões em 2025 e R$ 41,4 bilhões em junho de 2026. No mesmo intervalo, os déficits recuaram de R$ 30,5 bilhões em 2024 para R$ 20,9 bilhões em 2025, situando-se em R$ 22,2 bilhões no primeiro semestre deste ano.
“Os números mostram uma evolução importante do sistema. Temos hoje um número significativamente maior de planos em situação superavitária e, quando olhamos para os déficits, observamos que a maior parte está concentrada em um grupo bastante reduzido de planos. É importante analisar essas situações individualmente, porque superávits e déficits refletem realidades atuariais específicas. O conjunto dos dados, no entanto, reforça a solidez e a maturidade alcançadas pela previdência complementar fechada”, afirma Devanir.
Sistema alcança 8,4 milhões de pessoas
Além da dimensão financeira, a previdência complementar fechada alcança aproximadamente 8,4 milhões de pessoas, considerando participantes ativos, dependentes e assistidos. São cerca de 3,27 milhões de participantes ativos, 4,21 milhões de dependentes e 873 mil assistidos.
Entre os participantes ativos, 63,56% são homens e 36,44% mulheres. A maior concentração está entre 35 e 54 anos: somados homens e mulheres, esse grupo corresponde a 57,15% dos participantes da amostra analisada. Entre os aposentados, 71,76% são homens e 28,24% mulheres. Já entre os beneficiários de pensão, a relação se inverte: 90,4% são mulheres e 9,6% homens.
A composição do sistema também revela diferenças entre as modalidades. Os planos de Contribuição Definida (CD) representam 47% dos planos e 47% da população, enquanto os planos de Benefício Definido (BD), apesar de corresponderem a 25% dos planos e 22% da população, concentram 54% dos ativos. Os planos de Contribuição Variável (CV) representam 28% dos planos, 31% da população e 30% dos ativos.
Em 2025, as entidades pagaram R$ 82 bilhões em benefícios. A aposentadoria programada teve valor médio mensal de R$ 8.261; a aposentadoria por invalidez, R$ 3.457; e as pensões, R$ 4.438.
“Temos milhões de brasileiros protegidos pelo sistema, mas ainda existe um contingente muito maior que está fora ou insuficientemente protegido. O Brasil convive hoje com essas duas realidades: de um lado, milhões de trabalhadores sem proteção previdenciária adequada e, de outro, um sistema de previdência complementar fechada sólido e maduro. Ampliar a cobertura é, ao mesmo tempo, uma agenda de inclusão social e de sustentabilidade econômica”, afirma Devanir.
“Não podemos discutir o futuro da Previdência apenas pelo lado da contenção de despesas. Precisamos olhar também para quem está fora do sistema e criar mecanismos capazes de incorporar esses trabalhadores. É justamente nesse ponto que a previdência complementar fechada pode oferecer uma contribuição relevante”, conclui.
47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar
Promovido pela Abrapp, o 47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar (CBPP) será realizado de 21 a 23 de outubro de 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. O evento reunirá especialistas, dirigentes, autoridades e representantes do setor para debater os desafios e as perspectivas da previdência complementar, com destaque para sustentabilidade, inovação, investimentos e ampliação da cobertura previdenciária.
Acesse o portal: https://www.abrapp.org.br/previdencia-para-todos/
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