IA é principal desafio e prioridade para áreas de RI
Tecnologia, inteligência artificial (IA) e novas exigências regulatórias ampliam papel estratégico da área de Relações com Investidores, aponta pesquisa Deloitte IBRI
• Para quase 70% das empresas, implementação de novas tecnologias, incluindo IA (Inteligência Artificial), é o principal desafio e prioridade da área de RI (Relações com Investidores);
• Adequação às novas normas contábeis, especialmente à IFRS 18, ainda está em estágio inicial ou intermediário para parte relevante das empresas;
• Quase 90% dos participantes na pesquisa consideram que a Reforma Tributária terá algum tipo de impacto em sua gestão estratégica;
• Cerca de 40% das empresas dizem vincular indicadores de ESG (do inglês, Environmental, Social and Governance; em português, ASG – Ambiental, Social e Governança) à remuneração dos seus executivos;
• Comunicação ganha relevância no perfil do profissional de RI: 85% consideram clareza e objetividade as habilidades mais valorizadas.
A incorporação de novas tecnologias e de inteligência artificial e a adaptação às novas exigências regulatórias – especialmente relacionadas às normas IFRS – são alguns dos principais desafios e prioridades da área de RI (Relações com Investidores) nas empresas.
É o que aponta a 19ª edição consecutiva da tradicional pesquisa que mapeia o mercado de capitais brasileiro e a evolução das práticas de Relações com Investidores.
Este ano o tema da pesquisa é “Agenda ampliada de Relações com Investidores: ESG, normas contábeis e impactos tributários”, realizada pela Deloitte e pelo IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores).
Para 7 em cada 10 respondentes, implementar processos tecnológicos nas atividades desenvolvidas, incluindo o uso de IA, é tanto o principal desafio quanto a maior prioridade da área de RI, mostrando a importância e o impacto das novas tecnologias nas rotinas.
No entanto, somente 9% das empresas dizem ter um alto nível de utilização de IA em atividades de revisão, consolidação e análise de relatórios de sustentabilidade, o que mostra que a adoção da tecnologia ainda se concentra, de modo geral, em estágios intermediários de maturidade e que há muito espaço para ampliação desse escopo.
“Os resultados reforçam que a agenda de Relações com Investidores deve estar cada vez mais conectada às transformações que impactam a estratégia das companhias, incluindo tecnologia, inteligência artificial, novas regras contábeis, sustentabilidade e mudanças tributárias.
Para o profissional de RI, isso significa atuar de forma ainda mais integrada ao negócio, traduzindo temas complexos em mensagens claras, consistentes e relevantes para investidores e demais públicos do mercado de capitais”, afirma Lícia Rosa, vice-presidente do Conselho de Administração do IBRI e gerente de Relações com Investidores da Itaúsa.
A capacitação das equipes para atender a novas normas e regulamentações, em especial IFRS1, IFRS2 e IFRS18, a maior interação com investidores e ter uma comunicação inovadora, disruptiva e diferenciada também foram apontadas por cerca de 4 em cada 10 respondentes como desafios que exigem maior atenção dos executivos, revelando um olhar mais estratégico e integrado para a área de Relações com Investidores.
“A pesquisa nos mostra que há uma ampliação do papel estratégico da área de Relações com Investidores, com uma atuação que integre a agenda corporativa e as demandas do mercado. Os resultados também apontam que a comunicação ganha um papel cada vez mais relevante, com as empresas apostando nessa aproximação para fortalecer sua atuação junto aos investidores e ao mercado”, afirma Reinaldo Oliari, sócio de serviços de Accounting & Reporting da Deloitte.
Desafios da área de RI
As novas normas para reporte de indicadores ESG anunciadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e alinhadas aos padrões internacionais de divulgação têm também trazido desafios de implementação para as empresas participantes da pesquisa.
Para 61%, ainda há desafios para conectar o relatório de sustentabilidade e ESG com as demonstrações financeiras, enquanto 59% apontam os custos para estabelecer ou modificar sistemas internos e 52% destacam a falta de padronização ou integração dos dados entre os principais obstáculos para a implementação dessas exigências.
Para se adequar às exigências, 61% dos respondentes dizem ter recorrido à contratação de serviços de uma consultoria externa, e 47% investiram na capacitação de seus profissionais sobre o assunto.
Da mesma forma, a adequação aos requisitos da IFRS18 – nova norma contábil internacional de apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras – também tem sido desafiadora.
Enquanto 44% das empresas estão em estágio de desenvolvimento das adequações, outros 44% ainda não iniciaram sua preparação ou estão em estágios iniciais de mapeamento de impactos, mas ainda sem ter um plano estruturado de implementação.
“A adaptação aos novos requisitos regulatórios deve permanecer como tema prioritário para as áreas de RI nos próximos anos e gerar um movimento de fortalecimento da governança corporativa e dos processos de reporte. As empresas estão concentrando esforços para transformar temas regulatórios, tecnológicos e de comunicação em alavancas de sua atuação junto aos investidores”, declara Oliari.
Impactos da Reforma Tributária
Além da nova agenda regulatória, as organizações também enfrentam os efeitos trazidos pela Reforma Tributária. Para a maior parte delas (62%), a Reforma deve ter um impacto médio sobre os negócios no próximo ano, com mudanças especialmente sobre a adaptação de sistemas internos (citada por 69% dos respondentes) e a revisão da estratégia comercial e de precificação (48%).
Quase 90% dos participantes na pesquisa consideram que a Reforma Tributária terá algum tipo de impacto em sua gestão estratégica e, assim, cerca de 40% das organizações já contam com o apoio de tributaristas para ajudar na comunicação desses efeitos ao mercado.
Integração entre agenda ESG e negócios
A pesquisa também aponta que as organizações apresentam uma agenda ESG abrangente, com alto monitoramento de indicadores dentro da esfera de governança.
Temas como código de ética e conduta, por exemplo, são monitorados por 91% das empresas respondentes, seguido por canal de denúncias (81%).
Já na esfera ambiental, 79% monitoram o consumo de energia, e 73%, a análise de cenário de riscos climáticos. Em relação aos indicadores sociais, 82% das organizações monitoram temas de saúde e segurança no trabalho, enquanto 73% se dedicam a atividades de treinamento para colaboradores.
A integração da agenda ESG às estruturas de governança também pode ser observada nos mecanismos de incentivo corporativo e gestão de desempenho: quase 40% das empresas dizem vincular indicadores de ESG à remuneração dos executivos.
Atuação do profissional de RI
Outro ponto investigado pela pesquisa foi a evolução da atuação do profissional de RI e os desafios para seu desenvolvimento.
Para 85% dos respondentes, ter uma comunicação clara e objetiva é a habilidade mais valorizada em uma equipe de RI, à frente, por exemplo, da capacidade de resolução de problemas (65%).
Já a necessidade de conhecimento multidisciplinar foi apontada por 81% como o principal desafio para o desenvolvimento.
“O mercado valoriza cada vez mais profissionais capazes de combinar conhecimento técnico e visão estratégica a habilidades como relacionamento, comunicação e adaptabilidade. É preciso se adequar às novas demandas que geram valor não só para a empresa, mas para todos os stakeholders”, conclui Oliari.
Perfil dos participantes da pesquisa
A pesquisa “Agenda ampliada de Relações com Investidores: ESG, normas contábeis e impactos tributários” contou com a participação de 64 empresas de diferentes setores da economia, entre eles energia, água e saneamento, e indústrias extrativas (23%), construção, incorporação e infraestrutura, transporte e logística (22%) e serviços financeiros (17%).
Quase metade (45%) teve receita total de até R$ 2,5 bilhões em 2025, enquanto 30% registraram receita acima de R$ 10 bilhões. E 61% são listadas na Bolsa brasileira. Entre os respondentes, 61% atuam na área de Relações com Investidores.
Sobre a Deloitte
A Deloitte é a organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado, com mais de 470 mil profissionais em todo o mundo, gerando impactos em mais de 150 países e territórios.
Com base nos seus 180 anos de história, oferece serviços de auditoria, asseguração, consultoria, impostos e serviços relacionados para quase 90% das empresas da lista da Fortune Global 500® e milhares de outras organizações.
Os profissionais da Deloitte proporcionam resultados mensuráveis e duradouros para ajudar a reforçar a confiança pública nos mercados de capitais e permitir aos clientes transformar e prosperar, e lideram o caminho para uma economia mais forte, uma sociedade mais equitativa e um mundo sustentável. No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é líder de mercado, com mais de 7.000 profissionais e operações em todo o território nacional, a partir de 18 escritórios.
A Deloitte refere-se a uma ou mais empresas da Deloitte Touche Tohmatsu Limited (“DTTL”), sua rede global de firmas-membro e suas entidades relacionadas (coletivamente, a “organização Deloitte”).
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Sobre o IBRI
Fundado em 05 de junho de 1997, o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores) é uma entidade sem fins lucrativos e sem vinculação político-partidária ou religiosa que representa os profissionais de RI (Relações com Investidores).
A missão do IBRI é formar e valorizar o profissional de Relações com Investidores, estimulando e promovendo atividades junto às Companhias e aos profissionais, seja por meio do compartilhamento de experiências ou por incentivo para adoção das melhores práticas.
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