Economista, planejador financeiro e sócio-fundador da GT Capital viaja para a quarta Copa do Mundo seguida. Com planejamento financeiro e disciplina, ele mostra que o sonho pode ser possível
Ir a uma Copa do Mundo é o sonho de muitos brasileiros. Para a maioria, porém, ele fica no campo da vontade. Para o gaúcho Rodrigo Azevedo, economista, planejador financeiro CFP® e sócio-fundador da GT Capital, virou um projeto de vida.
Depois de participar de três edições do torneio, ele já se prepara para a quarta Copa do Mundo agora em junho deste ano, na América do Norte, e não pretende parar tão cedo. Seu objetivo é ambicioso: estar em todas as Copas do Mundo até o fim da vida.
Mais do que paixão pelo futebol, o que sustenta esse plano é organização financeira. Para ele, o maior obstáculo para quem quer viver essa experiência não é necessariamente o dinheiro, mas a falta de preparo ao longo do tempo.
Com o passar dos anos, Rodrigo criou uma rotina própria para transformar esse sonho em algo viável. “Eu passo quatro anos me preparando para a próxima grande experiência”, afirma. A estratégia é simples, mas exige consistência: planejamento antecipado, disciplina financeira e decisões conscientes.
Do sonho ao plano
A preparação começa assim que uma Copa termina. Foi o que ele fez após o Mundial anterior. Para a Copa de 2026, por exemplo, iniciou a organização em janeiro de 2023, com aportes mensais de R$ 750 em um investimento conservador, como o Tesouro Selic, título emitido pelo Tesouro Nacional, priorizando segurança e previsibilidade.
A lógica é clara: transformar um objetivo distante em metas mensais. Para isso, o primeiro passo é colocar no papel quanto a viagem pode custar, dividir esse valor pelo tempo disponível até o evento e criar uma rotina de poupança.
Outro ponto importante é entender o destino. Como a próxima Copa será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, boa parte dos gastos será em dólar. Por isso, ele considera relevante acompanhar a cotação da moeda ao longo do tempo e, quando possível, fazer aportes já pensando nessa exposição.
Além disso, Rodrigo reforça a importância de antecipar decisões. Pesquisar passagens, hospedagem, alimentação e ingressos com antecedência ajuda a evitar custos elevados e torna o planejamento mais previsível.
Para facilitar, ele recomenda medidas práticas:
- Crie uma reserva exclusiva para a viagem;
- Antecipe compras importantes;
- Compre dólar aos poucos ao longo dos anos;
- Defina o tempo de permanência;
- Divida custos com amigos ou familiares.q
Para ele, a consistência é o que transforma o plano em realidade. “Não dá para depender de sorte ou de uma aposta para realizar um objetivo como esse. O que funciona é constância. É definir um valor, investir todos os meses e tratar esse sonho como uma prioridade real. Quando você faz isso, a viagem deixa de ser um desejo distante e passa a ser um plano possível”, comenta.
Diferentes formas de viver a Copa
Ao longo das edições, a experiência de Rodrigo evoluiu. Ele começou com viagens mais simples e, com o tempo, foi ampliando o tempo de permanência e o nível de conforto.
Hoje, ele mostra que não existe apenas uma forma de viver a Copa. Segundo ele, uma viagem de cerca de 11 dias para acompanhar os jogos do Brasil pode custar aproximadamente R$ 50 mil em um formato mais confortável. Já uma versão mais econômica pode ficar em torno de R$ 24 mil, com ajustes no padrão de consumo.
Para quem quer começar, a recomendação é adaptar a experiência à realidade. É possível ficar menos dias, assistir menos jogos ou até viajar sem ingressos, aproveitando fan fests e o ambiente das cidades-sede.
“A experiência da Copa vai muito além do jogo. Estar lá, viver o ambiente, já faz tudo valer a pena”, destaca.
A experiência começa antes da viagem
Outro ponto que ele valoriza é o processo de organização. Para Rodrigo, montar a viagem por conta própria não é apenas uma forma de economizar, mas também de começar a viver a experiência antes mesmo do embarque.
“Montar o roteiro por conta própria tende a reduzir custos e ainda amplia o envolvimento com a experiência antes mesmo do embarque. Em viagens em grupo, a divisão de responsabilidades entre passagens, hospedagem e ingressos pode tornar o processo mais eficiente”, afirma.
Na hora de comprar ingressos, a recomendação é ser flexível. Categorias mais acessíveis podem não oferecer a melhor visão do campo, mas garantem o essencial: estar presente no estádio.
O erro que impede a maioria
Mesmo com planejamento possível, Rodrigo observa que muitas pessoas acabam não realizando esse tipo de sonho. O principal motivo, segundo ele, é simples: “O maior erro é não começar”.
Outro equívoco comum é tentar acelerar o processo por meio de investimentos arriscados. Para ele, a estratégia mais eficiente continua sendo a consistência ao longo do tempo. “A estratégia mais eficiente continua sendo a consistência, com aportes mensais e foco em segurança”, diz.
Muito além do futebol
Para Rodrigo, a Copa do Mundo vai além do esporte. A experiência envolve cultura, conexões e repertório. Estar em um ambiente internacional, com pessoas de diferentes países, amplia a visão de mundo e pode gerar impactos até na vida profissional.
“Acredito que a lógica usada para planejar uma Copa pode ser aplicada a qualquer objetivo relevante. Seja uma viagem, a compra de um imóvel ou um curso no exterior. O caminho passa por planejamento, disciplina e constância”, complementa.