Prévia do IPCA de setembro – veja atualização das projeções de inflação

Economia

Prévia do IPCA de setembro 2026: atualização das projeções de inflação por Andréa Angelo (economista), Laís Camargo e Júlia Freitas, da equipe de estratégia de inflação da Warren Investimentos.

25/09/2026

Hoje foi divulgada a leitura do IPCA-15 de setembro, em +0,70%, acima do teto das expectativas de mercado. Nossa projeção estava em +0,53%. A taxa acumulada em 12 meses subiu para +4,47%.

📌Ao contrário das divulgações de agosto, o IPCA-15 de setembro trouxe piora significativa da leitura qualitativa. Nossa projeção para 2026, que já estava pressionada, foi revisada para cima.

Os desvios em relação às nossas expectativas foram bastante dispersos e se dividiram entre itens voláteis (como alimentação no domicílio e passagens aéreas), combustíveis, serviços e comunicação.

Revisamos nossa projeção de 2026 para 5,20%. Para 2027, mantemos a expectativa de 5,2%.

Nossas projeções para os próximos meses são:

* Setembro: +0,68%. Impulso parte da reversão de alimentos in natura, passagem aérea, energia elétrica e sustentação do preço da gasolina. A revisão altista decorreu das surpresas da divulgação de hoje.

* Outubro: +0,29%. Haverá dissipação do “efeito rebote” do fim dos descontos do bônus de Itaipu no mês anterior. Contamos também com desaceleração de carnes e passagem aérea, bem como alguma queda de gasolina, que não ocorreu em setembro.

Análise da divulgação

Com exceção de bens industriais, todos os agrupamentos do Banco Central vieram mais pressionados do que nossa projeção. Qualitativamente, a leitura também foi ruim.

Os serviços subjacentes subiram 0,28% no mês e acumulam alta de 5,31% nos últimos 12 meses. A média dos núcleos também se acelerou, ao registrar +0,34% na margem e +4,38% nos últimos 12 meses.

As medidas dessazonalizadas corroboram a leitura ruim: tanto os serviços subjacentes quanto o conjunto de itens inerciais mostram aceleração. Os serviços intensivos em mão de obra continuam como principal ponto de atenção. Subiram 0,57% no mês (vs. 0,49% projetado), e a medida dessazonalizada anualizada segue estável em torno de 7%, com tendência de alta.

Nas nossas medidas relacionadas ao choque do petróleo, tanto o IPCA guerra quanto o IPCA ex-guerra vieram mais fortes do que esperávamos. Já contávamos com a retomada dos efeitos defasados da guerra sobre a cesta depois de dois meses de enfraquecimento, mas a intensidade da leitura de hoje superou nossa expectativa . Esperamos que, até o final do ano, o IPCA continue a incorporar os efeitos defasados da Guerra no Oriente Médio.

A reversão para o campo altista do indicador foi explicada por aumentos em Alimentação e bebidas (+0,40%), Habitação (+2,07%), Transportes (+0,60%), Despesas pessoais (+0,96%) e Comunicação (+0,54%).

Alimentação no domicílio (+0,38%) ficou bem acima do que esperávamos, com forte alta de alimentos in natura (+1,23%) e carnes (+1,30%), já refletindo o encarecimento dos preços no atacado. Por outro lado, os leites e derivados se arrefeceram para +0,30%, conforme esperado.

Em Habitação, a reversão do efeito baixista de agosto se deve pelo “efeito rebote” do Bônus de Itaipu, com o retorno aos preços sem descontos das tarifas. Assim, energia elétrica subiu +7,42%.

Em Transportes , contávamos com alta de 5% de passagens aéreas, que surpreenderam ao subir 9,82%.

A gasolina e o etanol também desviaram de nossa projeção: a gasolina (+0,30%) não refletiu os efeitos da desoneração concedida em 10 de setembro e continuou em alta.

Vale ressaltar que nossa coleta proprietária de preços também não reflete, até o momento, queda dos preços ao consumidor final. O etanol (-0,22%), por sua vez, caiu menos do que o esperado.

Despesas pessoais e Comunicação também foram fontes de desvio em nosso número em relação ao IBGE.

O subitem hotel subiu 1,85%, com destaque para o Rio de Janeiro, onde a alta foi de 4,12%; essa pressão pode estar relacionada ao Rock in Rio, que ocorreu no início de setembro e costuma pressionar os preços de hotelaria na cidade. Houve também encarecimento de cigarros (+14%) decorrente do aumento de IPI.

Em contraponto, cinema, teatro e concertos variaram -5,15%; a Semana do Cinema, que aconteceu entre os dias 10 e 16 de setembro, concedeu descontos em ingressos de cinemas em todo o país.

Este movimento está em linha com o estudo que publicamos no dia 18, onde alertamos que os descontos de 2026 seriam mais fortes do que em 2025.

No grupo Comunicação , destaque para as altas de TV por assinatura (3,23%), serviços de streaming (+1,20%) e combo de telefonia, internet e TV por assinatura (+0,74%).

Em sentido decrescente, e em linha com o esperado, Educação retornou para perto da estabilidade (+0,03%), com a dissipação dos reajustes de cursos regulares de agosto. Saúde e cuidados pessoais também recuou, para +0,20%, com deflação de higiene pessoal (-0,41%).

Conteúdo: Andréa Angelo (foto), Laís Camargo e Júlia Freitas – equipe de estratégia de inflação da Warren Investimentos.

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