IPCA-15 de agosto de 2025 | Andréia Angelo

Economia

IPCA-15 de agosto de 2025 | Análise por Andréia Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos.

O IPCA-15 de agosto registrou deflação de -0,14%, uma surpresa altista em relação tanto à nossa projeção (-0,22%) quanto ao consenso de mercado (-0,20%). Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,95%, recuo de 35 pontos-base frente a julho.

Apesar da deflação no mês, a leitura veio pior que o esperado, sobretudo pelos núcleos de serviços mais elevados, o que não sinaliza um quadro tão positivo para a inflação de médio prazo quanto nas divulgações anteriores.

Diante disso, revisamos nossas estimativas para o IPCA de agosto, adicionando +5 pontos-base em relação ao valor anterior. Agora projetamos deflação de -0,17% no mês e ajustamos nossas expectativas para 2025 para 4,9%, mantendo 2026 em 4,4%. 

Entre os grupos, habitação voltou a se destacar. A surpresa veio de energia elétrica, que apresentou impacto altista ao não entregar a deflação projetada. Ainda assim estimamos que o efeito do bônus de Itaipu (estimado em -11,40%) é conforme esperado, porém acreditamos que PIS/COFINS possa ter sido maior que o projetado nas faturas de energia.

Nossa expectativa, considerando a bandeira vermelha 2, era de -6,74%, mas o resultado foi de -4,93%, contribuindo com um desvio altista de 7 pontos-base.

Segundo o IBGE, o número reflete não apenas o bônus de Itaipu e o acionamento da bandeira vermelha patamar 2, mas também reajustes tarifários: 4,25% em Belém (-6,47%) a partir de 07/08; 13,97% em uma concessionária de São Paulo (-0,88%) desde 04/07; 1,97% em Curitiba (-6,19%) vigente desde 24/06; 14,19% em Porto Alegre (-8,38%) a partir de 19/06; e redução de 2,16% no Rio de Janeiro (-6,49%) desde 17/06.  

No grupo de transportes, o resultado foi misto. Passagens aéreas, tradicionalmente voláteis, registraram deflação, como esperado, mas a intensidade frustrou: projetávamos -7,00%, e o número veio em -2,59%.

Já a gasolina apresentou queda de -1,14%, levemente abaixo da deflação de -0,96% apontada pela nossa coleta proprietária no último dia do período de coleta. 

Outra surpresa veio de vestuário: enquanto projetávamos deflação de -0,09%, o grupo apresentou alta de +0,17%, a primeira para o mês em três anos. Educação também pressionou, com reajuste de +0,78%, acima da nossa projeção de +0,55% e em linha com o +0,75% observado em agosto do ano passado. 

Em alimentação no domicílio, o movimento deflacionário foi mais intenso do que o previsto, com deflação de -1,02% ante expectativa de -0,80%. Destaque para carnes (-0,94%), frutas (-1,32%), hortaliças (-1,71%), leguminosas (-2,81%) e tubérculos (-9,38%).

Em geral, os alimentos in natura, que já vinham apresentando quedas desde maio, continuaram o movimento em agosto, em linha com o esperado por nós e captado pela nossa coleta proprietária. Outro ponto deflacionário foi automóveis novos, que mostrou deflação de -1,32% após implementação do IPI verde. Esta variação foi mais forte que as nossas coletas indicavam. 

Nossa maior preocupação está nos núcleos. Serviços subjacentes aceleraram 10 pontos-base em relação ao mês anterior (0,55% vs. 0,45%).

Na média móvel trimestral, dessazonalizada e anualizada, observou-se aceleração em serviços subjacentes (5,81% vs. 5,37%), serviços intensivos em trabalho (5,57% vs. 5,35%) e serviços diversos (4,91% vs. 4,63%).

 Já os núcleos de inflação, na mesma métrica, mostraram leve desaceleração, influenciados pelos resultados anteriores. Vale comentar que a nossa medida de serviços muito inerciais também surpreendeu para cima ao registrar alta de 0,45% no mês, com média móvel dessazonalizada e anualizada em 5,60%.

De toda forma, seguimos acreditando que essa métrica roda compatível com a inflação cheia em 5,0 e 5,5%.

Conclusão sobre o IPCA-15 de agosto

Em suma, a leitura qualitativa do IPCA-15 de agosto foi negativa para nós, com resultados piores do que projetávamos para a inflação de curto prazo. Embora parte do desvio tenha origem em itens voláteis, a piora dos núcleos, componentes fundamentais para a tomada de decisão do Banco Central, levanta sinal de alerta para próximas divulgações.

Autora: Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos.

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Edição visual da página: Ernani Fagundes, jornalista especializado (MBA da B3) em informações econômicas, financeiras e de mercado de capitais.

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