Expectativa do IPCA-15 de agosto de 2025 | Artigo por Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos.
Amanhã, terça-feira (26), será divulgada a leitura do IPCA-15 de agosto. Projetamos deflação de -0,22% no mês, o que levaria a inflação acumulada em 12 meses para 4,87%. Esse resultado representa uma desaceleração de 55 pontos-base em relação ao IPCA-15 de julho, que havia registrado alta de 0,33%.
No grupo de alimentação e bebidas, projetamos deflação de -0,80%, após -0,40% em julho. Dentro das leguminosas (estimativa de -2,67%), destacam-se as quedas de arroz (-3,0%) e feijão (-1,75%). Para as carnes, esperamos deflação de -0,44%, com impacto 9 bps menor em comparação ao índice de julho. Já os alimentos in natura, que vêm apresentando quedas expressivas desde maio, devem intensificar o movimento em agosto: nossa projeção é de -3,12%, com destaque para tubérculos (-7,8%). Nossas coletas proprietárias confirmam a continuidade dessa tendência para a leitura do IPCA-15.
O grupo de habitação deve apresentar deflação de -2,60%, equivalente a uma redução de 39 bps frente ao IPCA-15 de julho. O destaque é a energia elétrica residencial, para a qual projetamos queda de -6,75%, resultado fortemente influenciado pelo Bônus de Itaipu (impacto estimado em -11,40%). Apesar desse alívio, a ativação da bandeira vermelha patamar 2 em agosto deve gerar pressão altista parcial. Além disso, itens como aluguel e condomínio, com variações mais contidas, também contribuem para a trajetória de queda do grupo.
Em transportes, nossa projeção é de deflação de -0,41% em agosto. O principal vetor é a passagem aérea, que deve recuar -7,0% após a forte alta de 19,86% em julho. Também neste grupo, destacamos os primeiros efeitos da política do IPI Verde, que devem aparecer em automóveis novos (estimativa de -0,56%). Já a gasolina, em linha com a tendência dos últimos meses (junho: -0,52% e julho: -0,50%), deve registrar nova deflação de -0,65%.
Entre os grupos com pressões altistas, projetamos avanço de 0,15% em eletroeletrônicos, revertendo a queda de -0,36% observada em julho. E o grupo de higiene pessoal deve exercer pressão de alta relevante, com expectativa de 1,44% em agosto, após variação de 0,21% em julho.
Para vestuário, estimamos deflação mais intensa, de -0,65% (ante -0,26% em julho), em linha com a sazonalidade do período, tradicionalmente marcado por descontos em troca de coleção. Em 2023 e 2024, a deflação nesse grupo havia sido mais branda (-0,10% e -0,09%, respectivamente). Nossa avaliação é que vestuário pode surpreender para baixo, reforçando o viés baixista da projeção.
Nos serviços subjacentes, projetamos desaceleração para 0,36% (de 0,45% no mês anterior). Dentro do grupo, merecem atenção a alimentação fora do domicílio (redução de 34 bps, para 0,50% em agosto), aluguéis e jogos de azar, que devem refletir integralmente os reajustes promovidos pela Caixa Econômica Federal.
Por fim, destacamos ainda a contribuição altista dos cursos regulares, que normalmente apresentam leve reajuste no mês de agosto. Nossa expectativa é de variação positiva marginal para o grupo de 0,55%, abaixo de 0,72% vista em agosto do ano anterior.
Em suma, nossas projeções indicam o IPCA-15 de agosto com núcleos moderados (+0,20%) e comportamento benigno de forma geral. Na nossa leitura, o risco para a projeção é baixista, sobretudo diante da deflação mais intensa em alimentação in natura e em vestuário, que podem surpreender para baixo.
Autora: Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos.
Leia mais:
Orçamento de 2026 terá receitas superestimadas – Felipe Salto
IPCA de julho de 2025 sobe 0,26% – Andréa Angelo
Edição visual da página: Ernani Fagundes, jornalista especializado (MBA da B3) em informações econômicas, financeiras e de mercado de capitais.
Precisa calcular e pagar o Imposto de Renda de investimentos na bolsa de valores? Assine o aplicativo Grana com o cupom 0349825 e receba R$ 90 de desconto no Plano Mais Grana Anual:
