Análise XP março 2026: Fluxos estrangeiros criam divergências

Análise

Análise XP março 2026 – Fluxos estrangeiros criaram divergências de mercado

Fonte: XP Research.

Veja trechos do relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).

Análise XP março de 2026

Neste Raio-XP, analisamos como o rali da Bolsa criou uma divergência entre os nomes que se beneficiam do fluxo estrangeiro e aqueles que não se beneficiaram.

Embora essa tendência possa persistir no curto prazo, acreditamos que, em algum momento, o mercado deve migrar para um “trade de convergência”, buscando nomes que ficaram para trás.

Também fazemos um screening da nossa cobertura para identificar as ações mais bem posicionadas para se beneficiar desse cenário. A história das ações brasileiras tem sido guiada por fluxo estrangeiro.

A intensificação da rotação global para fora de ativos dos EUA e a tese do desabamento do dólar desencadearam um rali histórico nas ações brasileiras, alimentado por fluxos estrangeiros.

Em janeiro, por exemplo, investidores estrangeiros registraram a maior entrada mensal da nossa série histórica (R$ +27,7 bilhões).

Além disso, esse forte fluxo de entrada foi amplamente impulsionado por fluxos passivos, como evidenciado pelo recente salto nas entradas no ETF EWZ.

Assim, os principais beneficiários desses fluxos passivos têm sido os maiores componentes do índice, como Petrobras (PETR4, +27,6% no ano) e Vale (VALE3, +22,9%), que abriram um gap de performance em relação ao restante do índice (Top 10 ações, +24,1% no ano; restante do Ibovespa, +15,2%).

Porém, não vemos mudança nos fundamentos que justifique um desempenho superior dos principais pesos do índice. Esse descolamento aparece na pequena diferença nas revisões de lucro entre os 10 maiores nomes do Ibovespa e o resto do índice, sobretudo após a alta no ano do último.

A relevância das entradas de capital estrangeiro para o rali recente fica ainda mais clara quando olhamos os dados de fluxo por setor e por ação.

A correlação entre os retornos setoriais de 3 meses no Ibovespa e as entradas de estrangeiros normalizadas pelo ADTV é de 69%.

Além disso, como era esperado, os setores que mais se beneficiaram desses fluxos foram os de commodities, especialmente Metais & Mineração (com entradas equivalentes a 427% do ADTV) e Óleo & Gás (318% do ADTV).

Em contraste, Properties de Renda, Agronegócio e TMT registraram as maiores saídas líquidas no período.

Quando olhamos no nível de ações, alguns “suspeitos usuais” também aparecem. Entre os 10 nomes com maiores entradas de estrangeiros nos últimos três meses, Metais & Mineração (VALE3, CMIN3, USIM5) e Óleo & Gás (PRIO3, VBBR3, BRAV3) novamente se destacam como os setores com maior representatividade.

Entre as large caps, BBAS3 é outro nome relevante na lista. No outro extremo, varejistas (CEAB3, AZZA3) se destacam entre os nomes com maiores saídas, junto com ações sensíveis a fatores globais específicos, como TOTS3, que tem sido pressionada pela venda generalizada global em ações de software.

Também analisamos a tendência de entradas de capital estrangeiro entre setores no Brasil em um horizonte um pouco mais longo, desde o início de 2025.

Observamos que Construção Civil, Mineração & Siderurgia, Saneamento e Utilidade Pública têm apresentado uma tendência forte e consistente de entradas, o que se traduziu em uma performance relativa versus o Ibovespa superior.

Por outro lado, Agro, Bens de Capital, Alimentos & Bebidas e Transporte têm sido os que mais ficaram para trás, tanto em fluxos estrangeiros quanto em performance relativa.

Papel & Celulose se destaca como o setor com a maior divergência entre retornos em excesso — que têm sido negativos, apesar de uma recuperação recente — e entradas de capital estrangeiro.

Por fim, Óleo & Gás registrou entradas fortes desde o início de 2026, em linha com a recuperação recente do setor e consistente com um pano de fundo de alocações em ações brasileiras guiadas por fluxos passivos.

Além disso, a forte onda de entrada de fluxo estrangeiro criou divergências em várias métricas do mercado.

A dispersão do Ibovespa, medida como o desvio padrão dos retornos dos componentes do índice, segue em níveis muito baixos. No entanto, desde então, vem subindo aos poucos.

Os dados de valuation, porém, mostram um quadro divergente. Os maiores setores do índice, como Bancos, Metais & Mineração, Óleo & Gás e Utilities, estão negociando em níveis mais esticados vs. suas médias de 3 anos, enquanto os setores domésticos (Educação, Varejo, Saúde) ainda negociam com desconto relevante.

A performance setorial e de fatores no ano (YTD) reforça a visão de um mercado guiado por macro, em grande parte sustentado por fluxos passivos de estrangeiros: há uma divergência grande de retorno entre o Ibovespa e o índice SMLL; e  Commodities e Financeiro seguem liderando a performance, enquanto cíclicos ficaram para trás.

Dado esse pano de fundo, esperamos que a divergência atual diminua com o tempo, à medida que o mercado migra, aos poucos, de um ambiente guiado por fluxo e por visão top-down para um “trade de convergência”.

Nesse cenário, investidores tendem a buscar nomes que ficaram para trás e que ainda oferecem valuations atrativos e fundamentos sólidos.

Dito isso, no curto prazo, enquanto o momentum do fluxo estrangeiro seguir forte, os nomes que mais se beneficiam desses fluxos devem continuar entregando retornos bons.

Analisamos o universo de cobertura da XP para identificar empresas que seguem com valuations atrativos após o rali recente, mantendo perfis sólidos de fundamentos.

Nossos critérios incluíram: ações com recomendação de Compra; momentum de lucros em 6 meses acima da mediana do nosso universo; Dívida líquida/EBITDA 2026E abaixo de 2,0x.

Os dois principais tipos de ações nessa lista são: nomes cíclicos, que recentemente underperformaram ou andaram em linha com o Ibovespa, mas mostram momentum de lucros positivo e valuations atrativos; e ações cuja performance recente foi mais sensível a dinâmicas idiossincráticas — como AURA33 e TOTS3.

Por outro lado, também analisamos nomes que tiveram performance recente forte apoiada por entradas relevantes de estrangeiros, e que hoje negociam com valuation bem acima das médias históricas.

Nossos critérios incluíram: ações que outperformaram o Ibovespa YTD; e entradas de fluxos estrangeiros em 3 meses acima de 100% do ADTV.

Essa lista é composta, em sua maioria, por large caps e nomes ligados a commodities que passaram por um re-rating forte recentemente, como VALE3, BBAS3, PETR4, PRIO3 e AXIA6.

Autores: Relatório Raio XP de março de 2026 elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).

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