Solução combina matéria orgânica e melhor aproveitamento de nutrientes; modelo prevê integração entre fornecedora e usinas

A necessidade de unir esforços entre poder público e iniciativa privada para fortalecer o setor sucroenergético brasileiro foi discutida durante a primeira manhã de programação da 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada nesta segunda-feira (26), no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo. Durante o evento, Ernani Judice, CEO da Agrion Fertilizantes Especiais, apresentou uma solução integrada de fornecimento de fertilizantes voltada a aumentar a produtividade, reduzir custos e gerar receitas adicionais para as usinas. A conversa foi moderada por Guilherme Nastari, diretor da DATAGRO.
A proposta combina tecnologia, matéria orgânica e liberação gradual de nutrientes, buscando melhorar o aproveitamento dos insumos na agricultura tropical. Segundo Judice, os fertilizantes convencionais nem sempre atendem às particularidades da produção brasileira, o que contribui para perdas e reduz a eficiência no campo. “Os fertilizantes que temos não foram desenvolvidos para o Brasil, mas sim para países de clima temperado; 60% não é absorvido, então a conta não fecha”, diz o executivo, ao defender mudanças na forma como os fertilizantes são utilizados na agricultura.
A fala de Ernani Judice se refere à baixa eficiência de aproveitamento dos fertilizantes convencionais pelas plantas. A ideia é que uma parcela dos nutrientes aplicados ao solo não é absorvida pelas culturas, podendo permanecer no solo, ser imobilizada ou perdida por processos como lixiviação e volatilização, representando desperdício de insumos e pode elevar os custos de produção.
Judice também destaca os investimentos em automação como estratégia para reduzir custos e ampliar a competitividade da solução, bem como um produto especialmente pensado para a realidade do Brasil. “Eu fui para dentro de uma fábrica descobrir como vender mais barato, investi pesado em automação para baratear a produção. Não adianta vender caro e ficar brigando. Tenho que fazer minha parte”, acredita.
O modelo de negócio prevê adaptar os projetos às necessidades de cada usina e estabelecer uma parceria em que a unidade industrial também participe dos resultados. A iniciativa busca ir além da comercialização de insumos, integrando fornecimento, tecnologia e eficiência operacional.
A aposta da Agrion é construir as fábricas, sendo responsável por todos os investimentos. “O retorno de uma fábrica é de R$ 150 a R$ 200 mihões anuais para cada unidade, e o investimento é de R$ 40 milhões, então é um retorno muito alto. E a fábrica é nossa sócia nessa comercialização”, explica.
Para o executivo, o Brasil tem potencial para desenvolver soluções próprias e fortalecer sua posição no agronegócio global, mas precisa ampliar os investimentos em eficiência, inovação e tecnologia.
Por sua vez, Guilherme Nastari ressalta a importância de reduzir vulnerabilidades externas em um cenário de instabilidade geopolítica e volatilidade nos preços dos combustíveis e dos insumos, recordando que em 1975 foi implementado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), mas questões internacionais como o fechamento do Estreito de Ormuz ainda influenciam no abastecimento de combustíveis e nos preços a que eles são vendidos no Brasil.
A proposta da Agrion reflete a busca por novos modelos de negócio no setor sucroenergético, nos quais a integração entre fornecedores e usinas pode contribuir para melhorar o desempenho produtivo e gerar valor ao longo da cadeia.
Serviço
26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol
Data: 26 e 27 de outubro de 2026
Local: Grand Hyatt Hotel – Avenida das Nações Unidas, 13.301, São Paulo (SP)
Mais informações: https://datagroexperience.com/eventos/conferencia-internacional-datagro-2026/