Futuro financeiro: Pesquisa inédita do Instituto Locomotiva e Abrapp mostra que jovens reconhecem a importância de começar cedo a construir uma reserva financeira para a aposentadoria.
São Paulo, outubro de 2026 – Os jovens brasileiros estão preocupados com o futuro financeiro e reconhecem a importância de começar cedo a construir uma reserva para a aposentadoria, mas ainda encontram dificuldades para transformar essa preocupação em planejamento de longo prazo. Pesquisa inédita realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), revela que 80% dos jovens de 18 a 30 anos se preocupam com o futuro financeiro, mas apenas 34% consideram que estão fazendo algo concreto para se preparar financeiramente para o futuro.
O levantamento mostra que, embora 65% acreditem que a preparação financeira para a aposentadoria deva começar antes dos 30 anos, 60% tomam decisões financeiras com horizonte de até seis meses. Para metade dos entrevistados, pensar na aposentadoria provoca mais ansiedade do que motivação, evidenciando a distância entre a consciência sobre o futuro e as condições reais de planejamento.
A pesquisa ouviu 1.000 jovens das classes A, B e C, com renda própria, em todas as regiões do Brasil. Esse público representa aproximadamente 31 milhões de brasileiros, o equivalente a 19% da população adulta. Os resultados foram apresentados por Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, na Talk Session “Previdência POP: como os jovens pensam o hoje e o amanhã”, no dia 22 de outubro, durante o 47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar (CBPP), em São Paulo.
O futuro importa, mas o presente determina as escolhas
A busca pela independência financeira aparece como principal objetivo dos jovens para os próximos anos, citada por 39% dos entrevistados, seguida pela formação de uma reserva de emergência (36%) e por viagens e lazer (25%). Guardar dinheiro para a maturidade ocupa apenas a sétima posição, com 19% das menções.
Quando projetam as próximas duas ou três décadas, as principais preocupações são a possibilidade de faltar dinheiro (37%), depender financeiramente de outras pessoas (27%) e enfrentar problemas de saúde (25%). Os resultados mostram que a preocupação com o futuro está presente, mas se manifesta, sobretudo, no desejo de conquistar autonomia e segurança financeira.
A realidade do orçamento, entretanto, impõe obstáculos. Segundo o levantamento, 41% dos jovens não têm sobra de recursos ou convivem com dívidas, enquanto apenas 19% possuem reservas suficientes para cobrir mais de três meses de despesas. Entre as principais dificuldades para guardar dinheiro estão os imprevistos frequentes (28%), a renda insuficiente (26%) e o endividamento (26%).
Para a Abrapp, os resultados reforçam a importância de estimular o planejamento previdenciário desde a juventude, quando existe mais tempo para formar uma reserva financeira e construir condições de autonomia no futuro.
“A previdência é uma coisa de jovem, não é coisa do idoso. Quem chega à longevidade colhe apenas o resultado daquilo que conseguiu construir e estruturar financeiramente ao longo dos anos”, afirma Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp.
Além das dificuldades financeiras, a pesquisa revela barreiras comportamentais que ajudam a explicar a distância entre a preocupação com o futuro e a adoção de medidas concretas de planejamento.
“A pesquisa evidencia a distância entre o que essa geração deseja para o futuro e o que consegue colocar em prática no presente. Os jovens reconhecem a importância de se preparar financeiramente e valorizam a própria autonomia, mas as necessidades imediatas acabam ocupando grande parte de suas decisões. É uma geração que pensa no amanhã, mas precisa lidar com as pressões financeiras de hoje”, analisa Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva.
Autonomia financeira pode aproximar os jovens da previdência
Apesar das dificuldades, o estudo identifica oportunidades para aproximar as novas gerações do planejamento previdenciário. Para 59% dos entrevistados, envelhecer bem significa manter a autonomia e a capacidade de fazer as próprias escolhas.
Essa percepção ajuda a explicar por que a previdência pode ganhar relevância quando apresentada como parte de um projeto de vida, e não apenas como uma preocupação distante com a aposentadoria.
“Para essa geração, falar de aposentadoria não é necessariamente falar de liberdade ou qualidade de vida. Muitas vezes, é falar de uma preocupação distante, que gera mais ansiedade do que motivação. Quando o planejamento financeiro se conecta à autonomia e à possibilidade de fazer escolhas no futuro, essa conversa passa a fazer muito mais sentido para os jovens”, afirma Meirelles.
A pesquisa também revela que 65% dos entrevistados conhecem pouco ou nada sobre previdência privada, percentual que chega a 75% entre os jovens de 18 a 23 anos. Além do desconhecimento, há preocupações relacionadas à segurança e à flexibilidade dos produtos: 62% receiam mudanças nas regras ao longo do tempo e 50% têm medo de não conseguir acessar os recursos quando precisarem.
Apesar dessas barreiras, 48% dos jovens declaram alta disposição para começar a contribuir para uma solução de previdência nos próximos 12 meses, desde que encontrem uma alternativa adequada à sua realidade financeira. Além disso, 61% demonstram maior interesse quando compreendem que começar a poupar mais cedo permite buscar a mesma renda futura com contribuições mensais menores.
Entre os atributos mais valorizados pelos entrevistados estão a possibilidade de interromper temporariamente as contribuições sem perder o valor acumulado (32%), a transparência sobre taxas e custos (32%) e a opção de começar com valores baixos (31%).
Para Devanir Silva, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o diálogo com as novas gerações, tornando mais conhecidos os benefícios da previdência complementar, a solidez e a sustentabilidade do sistema e seu papel na construção de uma renda futura. O desafio, segundo ele, é transmitir essas informações de forma simples e acessível, fortalecendo a confiança dos jovens no planejamento previdenciário de longo prazo.
“Somos uma página em branco para a sociedade. Pouca gente sabe o valor dessa previdência para o futuro das pessoas. Precisamos ter uma linguagem mais simples e mais direta com esses trabalhadores”, afirma o dirigente.
Ampliação da cobertura previdenciária é desafio para o país
Na avaliação da Abrapp, os resultados da pesquisa reforçam uma discussão que vai além do comportamento financeiro dos jovens. O envelhecimento da população, as transformações nas relações de trabalho e as dificuldades de formação de poupança de longo prazo exigem novas estratégias para ampliar a proteção previdenciária dos brasileiros.
“Não podemos discutir o futuro da Previdência apenas pelo lado da contenção de despesas. Precisamos olhar também para quem está fora do sistema e criar mecanismos capazes de incorporar esses trabalhadores. Ampliar a cobertura é, ao mesmo tempo, uma agenda de inclusão social e de sustentabilidade econômica”, afirma Devanir Silva.
O estudo também identifica diferentes níveis de planejamento financeiro entre os jovens. O grupo com menor nível de planejamento representa 53% da amostra e, entre esses entrevistados, 40% consideram viável começar a contribuir com valores de até R$ 50 mensais.
Os resultados reforçam a necessidade de desenvolver soluções previdenciárias mais flexíveis e customizadas, capazes de atender diferentes perfis de trabalhadores e realidades de renda. Para ampliar a cobertura previdenciária, é fundamental considerar as diferenças de conhecimento, capacidade de poupança e estabilidade financeira, oferecendo alternativas que permitam contribuições acessíveis, ajustáveis e compatíveis com as condições de cada público.
Sobre a pesquisa
Realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Abrapp, a pesquisa “Desafios e Oportunidades para Previdência Privada para Jovens” contou com uma etapa quantitativa de 1.000 entrevistas digitais por autopreenchimento, com homens e mulheres de 18 a 30 anos, das classes A, B e C, com renda própria, de todas as regiões do Brasil. O estudo também incluiu uma etapa qualitativa, composta por seis entrevistas em profundidade, realizadas online.
47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar
Promovido pela Abrapp, o 47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar foi realizado de 21 a 23 de outubro de 2026, em formato híbrido, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Conteúdo: Abrapp
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