Segurança alimentar volta ao centro da geopolítica e coloca Brasil diante de novos desafios

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Painel do GAFFFF reuniu representantes do BNDES, IICA, União Europeia e Banco Mundial para discutir políticas agrícolas, comércio, tecnologia e o papel brasileiro no abastecimento global

São Paulo, SP, 1º de outubro de 2026 – O Brasil está fora do Mapa da Fome das Nações Unidas, mas ainda convive com desafios importantes de segurança alimentar. Segundo o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026” (SOFI), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), menos de 2,5% da população brasileira não têm renda suficiente para consumir a quantidade necessária de nutrientes para uma vida saudável. A insegurança alimentar severa atinge 0,6% dos brasileiros. 

Os números ajudam a dimensionar a complexidade de um tema que, ao mesmo tempo em que envolve o acesso da população aos alimentos, ganhou peso estratégico no cenário internacional. Depois da pandemia e de conflitos que afetaram cadeias de energia, fertilizantes, logística e comércio, a segurança alimentar voltou ao centro da agenda geopolítica, ampliando a discussão sobre o papel de grandes produtores como o Brasil. 

Esse foi o ponto de partida do painel “Políticas Agrícolas e Segurança Alimentar”, realizado nesta quinta-feira (1º), durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo. A conversa foi moderada por Roberto Rodrigues, professor emérito da FGVAgro e ex-ministro da Agricultura, e reuniu Caio Barbosa, chefe do Departamento de Crédito Rural do BNDES; Giovanni Coelho, gerente de projetos do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA); e Jean-Pierre Bou, chefe adjunto da Delegação da União Europeia no Brasil e diretor regional do setor para América Latina e Caribe do IFC/World Bank Group. 

Brasil precisa discutir seu papel na segurança alimentar global 

Ao abrir o painel, Roberto Rodrigues afirmou que a intenção era provocar uma discussão sobre a posição que o Brasil deve ocupar em um mundo no qual garantir alimentos voltou a ser uma questão estratégica. “A minha ideia é provocar as pessoas quanto ao papel do Brasil na segurança alimentar global e sobre quais políticas públicas desenvolvidas aqui no País poderiam acontecer. Vou procurar tratar de temas como tecnologia, logística, estrutura e acordos comerciais, assuntos fundamentais.” 

Para Rodrigues, os choques dos últimos anos mudaram a percepção sobre as condições necessárias para garantir o abastecimento. A dependência de fertilizantes e combustíveis, somada a conflitos e rupturas nas cadeias internacionais, mostrou que produzir alimentos é apenas uma parte da equação. 

“Depois da pandemia, depois da guerra no Oriente Médio, a segurança alimentar voltou a ter uma importância monumental. A falta de fertilizantes, de óleo diesel, está levando a uma revisão de princípios e conceitos sobre segurança alimentar. Então, eu vejo que o mundo se organiza nessa direção”, considera.  

Produzir não basta 

O debate mostrou que segurança alimentar depende de uma cadeia muito mais ampla do que a produção dentro da propriedade rural. Crédito, tecnologia, fertilizantes, energia, infraestrutura, logística e acesso aos mercados são elementos que determinam tanto a capacidade de produzir quanto a possibilidade de fazer o alimento chegar ao consumidor. 

O próprio The State of Food Security and Nutrition in the World (relatório publicado pela FAO em parceria com a ONU, que na tradução livre leva o nome de “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo”) chama atenção para essa dimensão. O documento estima que 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025 no mundo e aponta que cerca de 2,7 bilhões de pessoas não conseguem pagar por uma dieta saudável. A FAO destaca que os custos se acumulam ao longo da cadeia, incluindo armazenamento, processamento, transporte e varejo.  

Para o Brasil, a discussão tem uma dimensão adicional. O País está entre os grandes produtores e exportadores agrícolas do mundo, mas também depende de mercados externos para parte relevante dos insumos utilizados pela produção. Isso faz com que política agrícola, comércio exterior, infraestrutura e segurança de abastecimento estejam cada vez mais interligados. 

Comércio internacional também entra na equação 

Outro ponto levantado por Rodrigues foi o papel das instituições multilaterais na organização do comércio de alimentos e insumos. Segundo ele, enquanto a segurança alimentar ganha importância, novas negociações comerciais avançam fora das estruturas tradicionais. 

“O que incomoda é que as organizações como FAO e OMC, que têm um papel fundamental, estão um pouco fora das coisas. Acordos comerciais estão surgindo à margem da OMC”, pontua.  

Ao reunir representantes do BNDES, IICA, União Europeia e Banco Mundial, o painel do GAFFFF colocou essa questão no centro do debate: em um mundo no qual segurança alimentar voltou a ser uma questão geopolítica, qual será o papel do Brasil nas decisões que definirão como o planeta produzirá, comercializará e terá acesso aos alimentos nas próximas décadas? 

Organizado pela DATAGRO, o GAFFFF reúne conteúdo, negócios, gastronomia e entretenimento com o objetivo de aproximar o agronegócio da população urbana e discutir temas estratégicos para o setor. A edição deste ano contará com 230 empresas apoiadoras e expositoras. Terá cerca de 330 palestrantes de mais de 20 países. Também há um espaço dedicado a esportes equestres e rodeio, além da Arena Fogo, com restaurantes com culinária ligada ao campo e produtores artesanais, e shows de Edson & Hudson, Rionegro & Solimões e Fiduma & Jeca. Outra novidade será a elaboração do Consenso do Agronegócio, documento pós-evento que reunirá as principais conclusões dos debates. 

Conheça os apoiadores do GAFFFF 2026 

Apresenta: XP e Corteva Agriscience; Master: FAESP/SENAR e Prefeitura Municipal de Sorriso; Diamante: Agri Connection, Baldan, Grupo Ceres, John Deere, RAM, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo e Timbro,Sebrae e APEX-BRASIL. 

Sobre a DATAGRO 

Com mais de 40 anos de mercado, a DATAGRO é uma consultoria agroindustrial independente com atuação global e referência no setor. 

A companhia produz análises, notícias e dados primários sobre agropecuária, soja, milho, algodão, cana, açúcar, etanol, biodiesel, café, citrus, pecuária, leite e outros mercados, orientando a tomada de decisão de clientes em mais de 50 países. São mais de 130 relatórios mensais sobre 18 commodities agrícolas, de energia e mercados. 

Ao todo, a DATAGRO reúne doze unidades de negócios: Alta Performance, Análise de Mercado, Consultoria Estratégica, Gestão, Markets, Financial, Governos, Benri, DataMaps, Deag, Geocane e Experience, área responsável pelos eventos, incluindo o Global Agribusiness Forum (GAF) e o Global Agribusiness Festival (GAFFFF). 

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