IPCA de agosto 2026: Deflação de 0,32% é registrada no mês.
Relatório por Andréa Angelo (foto), Laís Camargo e Júlia Freitas
11/09/2026
Hoje foi divulgada a leitura do IPCA de agosto, em -0,32% no mês, abaixo da mediana das expectativas de mercado segundo a Bloomberg (-0,28%), e 4,22% no acumulado em 12 meses. Projetávamos -0,29% no mês.
📌 O IPCA de agosto não trouxe novidades qualitativas relevantes ao nosso cenário. Ao passo que a leitura mensal foi ligeiramente melhor que nossa projeção em algumas medidas (serviços e núcleos), as medidas dessazonalizadas não mostram sinal de alívio.
O principal ponto de atenção continua sendo os serviços intensivos em mão de obra, cuja inflação anualizada permanece acima de 7%.
Nossas projeções para os próximos meses são:
* Setembro: 0,40%. Impulso parte da reversão de alimentos in natura, passagem aérea e energia elétrica, contrapostos, em parte, pelo barateamento dos combustíveis.
* Outubro: 0,29%. Haverá dissipação do “efeito rebote” do fim dos descontos do bônus de Itaipu no mês anterior.
Seguimos com projeção de 5,0% para o IPCA de 2026 e 5,2% para 2027.
Análise da divulgação do IPCA de agosto de 2026
A deflação do indicador ficou concentrada em Habitação (-1,87%) e Transportes (-0,86%), conforme esperado.
Em Habitação, energia elétrica caiu 7,63%, refletindo os descontos do Bônus de Itaipu. O efeito é temporário e será revertido em setembro, quando as contas retornarem aos níveis anteriores.
Em Transportes ficou a maior parte da surpresa baixista em relação à nossa projeção. Parte da surpresa veio de automóvel novo (-0,48%) e usado (-0,61%), o que corrobora a tese que apresentamos recentemente em nosso Raio W sobre o aumento da presença de automóveis chineses a preços mais competitivos e o potencial impacto desinflacionário desse movimento; gasolina (-0,59%) e etanol (-3,95%) também surpreenderam para baixo, ligeiramente.
Conforme a expectativa, passagem aérea caiu 13,17%. Em setembro, esperamos que o grupo continue em deflação, tendo em vista a redução de PIS/Cofins para a gasolina e etanol hidratado, bem como o maior subsídio para o diesel.
Vestuário (+0,12%) deixou de se deflacionar, apesar de subir com menos força do que projetávamos. Já havíamos destacado que parte da queda ocorrida em julho e no IPCA-15 de agosto poderia refletir uma antecipação do efeito baixista sazonal (que agora já começa a se inverter), devido ao fim da “taxa das blusinhas”.
As leituras de setembro deverão refletir com mais intensidade essa aceleração do grupo.
Em Alimentação e bebidas (-0,34%), a deflação foi, desta vez, menos intensa do que projetávamos, e teve contribuição negativa mais suave do que no IPCA-15 de agosto.
Alimentação no domicílio recuou 0,61%, com forte queda de tubérculos, raízes e legumes (-12,37%), especialmente batata-inglesa (-19,89%), tomate (-10,94%) e cebola (-11,07%).
Já as carnes subiram 0,61%, refletindo o movimento altista do atacado. Tanto as carnes quanto os alimentos in natura irão apresentar aumentos em setembro, conforme indicado por nossas coletas de preços ao produtor.
Despesas pessoais aceleraram para +1,30%, com pressão de cigarros (+19,59%), variação acima do esperado, em contraponto ao que foi indicado pelo IPCA-15.
O movimento reflete o aumento da alíquota específica de IPI, de R$ 2,25 para R$ 3,50, vigente desde 1º de agosto. Em Educação, os cursos regulares subiram 0,47%, refletindo reajustes de meio de ano.
Os itens administrados (-1,23%) registraram deflação, puxados por energia elétrica e combustíveis.
Os serviços subjacentes permaneceram praticamente estáveis e seu movimento foi qualitativamente melhor do que esperávamos, graças aos serviços pessoais e cinema, teatro e concertos (-0,76%).
Bens industriais também surpreenderam para baixo, devido a automóveis e perfume (-0,32%).
A média dos núcleos ficou em 0,23% MoM (frente a 0,26% no mês anterior) e 4,41% YoY. Porém, a média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada acelerou de 4,27% para 5,12.
Os itens inerciais também não deram sinal de alívio e avançaram de 5,24% para 5,34% na média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada.
Nas nossas medidas relacionadas ao choque do petróleo, o IPCA ex-guerra voltou a acelerar, conforme esperado, enquanto o grupo de itens com alta sensibilidade ao choque do petróleo permaneceu praticamente de lado e também em linha com nossa projeção.
A partir de setembro, esperamos uma retomada gradual dos repasses defasados dos efeitos da guerra para a cesta do IPCA.
Autoras: Andréa Angelo (foto), Laís Camargo e Júlia Freitas
Conteúdo: Warren
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