Análise XP setembro 2026: Preocupações com a atividade econômica aumentaram.
Veja trechos do relatório Raio XP de setembro de 2026 elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações), Caio Souza (Estrategista de Ações) e Antonio Mello (Estrategista Quantitativo).
As preocupações com a atividade econômica aumentaram. Os principais riscos para os lucros vêm do macro, por dois canais relacionados. Primeiro, a atividade parece estar desacelerando mais rápido do que se esperava, com os indicadores recentes abaixo das expectativas.
Nosso time de Economia projeta crescimento do PIB de 2,0% em 2026 e desaceleração para 1,0% em 2027, com riscos para baixo — e revisou essa projeção de 2027 ao longo do ano.
Segundo, as preocupações com o crédito aumentaram diante da alta da inadimplência, com empresas e famílias sob condições financeiras mais apertadas e juros elevados.
Ainda assim, a tendência de revisão de lucros no Brasil segue relativamente resiliente. Nos últimos três meses, a estimativa de lucro por ação (LPA) projetado 12 meses do Ibovespa foi revisada para cima em 1,2%, enquanto no último mês a revisão para cima foi de 1,5%.
Boa parte disso, porém, veio do petróleo. O Ibovespa ex-commodities, por sua vez, teve uma pequena revisão negativa de LPA de 0,5% em três meses e uma revisão mais significativa, de -4,1%, no último mês, indicando uma aceleração recente das revisões para baixo — ainda que a tendência geral de 2026 até aqui siga relativamente resiliente.
As estimativas de crescimento também seguem sólidas. Embora a maior parte do forte crescimento de lucros A/A esperado para o Ibovespa em 2026 seja explicada por commodities, os lucros do Ibovespa ex-commodities também devem crescer em ritmo sólido, de +11,4%.
Para 2027, nossos analistas esperam crescimento de lucros de 15,1% no universo ex-commodities. Mas o ambiente atual aponta para uma possível rodada de revisões para baixo.
Embora os números atuais ainda indiquem um cenário relativamente resiliente, o principal risco é que, à medida que os analistas de sell-side atualizem seus modelos e caso os riscos macro se materializem, vejamos uma rodada mais intensa de revisões negativas de lucros nos próximos meses.
Para avaliar os riscos para os lucros em 2027, construímos um cenário pessimista a partir do nosso modelo de fluxo de caixa descontado do Ibovespa.
Usamos três premissas para 2027:
1. Receitas vêm 2% abaixo das estimativas atuais de consenso de mercado;
2. Margem EBITDA recua para a média de 5 anos, de 27,5%, ante os 30,1% atualmente implícitos no consenso.
3. O % de juros sobre receita sobe levemente para 3,0%, ante os 2,8% projetados hoje.
Nesse cenário, o lucro líquido do Ibovespa ficaria 19% abaixo das estimativas atuais de consenso para 2027. Além disso, o índice negociaria a um P/L de 10,11x, mais perto da sua média histórica de 11,0x.
Além dos lucros, também analisamos o desempenho da Bolsa brasileira em períodos de atividade econômica fraca, com base nas recessões definidas pelo FGV/CODACE.
Nossas principais conclusões são: • O desempenho do Ibovespa tende a antecipar os períodos de recessão.
Historicamente, o índice entregou retorno médio de -9,0% nos 12 meses que antecedem uma recessão, bem mais fraco que o retorno médio de -0,7% durante as próprias recessões.
Em contrapartida, o desempenho nos 12 meses seguintes a uma recessão foi particularmente forte, com média de +29,1%.
Conteúdo: Relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações), Caio Souza (Estrategista de Ações) e Antonio Mello (Estrategista Quantitativo).
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