PIB supera previsões e cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026

Economia

Agropecuária puxou a evolução, seguida pelos serviços e pela indústria

No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 0,5% frente ao primeiro trimestre de 2026, na série com ajuste sazonal. Pela ótica da produção, destaca-se o crescimento da Agropecuária (2,8%), com Serviços (0,2%) e Indústria (0,1%) também mostrando variação positiva.

Especialistas avaliam que a permanência de uma política monetária contracionista e condições restritivas de crédito colaboram com a redução do consumo das famílias, indicando um cenário de desaceleração na economia. Confira abaixo comentários a respeito do resultado:

Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD

O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, acima da expectativa de 0,4%, mas o dado traz sinais importantes de desaceleração da economia.

O principal destaque positivo foi o agronegócio, que avançou 2,8%, enquanto os investimentos cresceram 1,2%. Por outro lado, o dado que chama mais atenção é o consumo das famílias, que caiu 0,4% na comparação com o primeiro trimestre. É uma sinalização clara de que os juros ainda elevados estão pesando sobre a demanda.

Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o PIB cresceu 2%, mas, olhando para a trajetória, o crescimento acumulado em quatro trimestres desacelerou para 1,9%.

Para o mercado financeiro, portanto, o PIB veio um pouco melhor que o esperado, mas não muda a fotografia de uma economia que está perdendo ritmo. E isso aumenta a importância dos próximos dados de inflação e atividade para definir os próximos passos do Banco Central.

O ponto de atenção é que o crescimento veio muito concentrado no agro e em alguns componentes do investimento, enquanto o consumo das famílias, que é um dos principais motores da economia, mostrou retração.

A mensagem do PIB é: a economia ainda cresce, mas está claramente pisando no freio. E, para o investidor, essa combinação de desaceleração da atividade com juros ainda elevados será fundamental para determinar o comportamento dos ativos nos próximos meses.

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos

O PIB do segundo trimestre de 2026 registrou variação de 2,0% na comparação anual, vindo ligeiramente acima da nossa projeção e da mediana da Bloomberg (ambas em 1,9%). O qualitativo veio um pouco pior do que o headline sugere, com uma moderação mais intensa do que o esperado no consumo das famílias, enquanto a formação bruta veio um pouco acima e compensou o número cheio.

Pelo lado da oferta, a indústria extrativa mais forte compensou componentes mais cíclicos que rodaram um pouco abaixo.

À primeira vista, o PIB corrobora o diagnóstico de desaceleração gradual da economia, e esse qualitativo um pouco pior — com moderação do consumo — tende a ser o foco das análises. Para o ano, o dado não traz grandes vieses por enquanto.

Yihao Lin, economista da Genial Investimentos

O resultado sugere que, mesmo diante de uma política fiscal bastante expansionista, sobretudo em função do ciclo eleitoral de 2026, e de um mercado de trabalho ainda robusto, a economia brasileira segue limitada por um ambiente macroeconômico adverso, marcado principalmente por uma política monetária bastante contracionista.

Os números divulgados hoje seguem consistentes com a nossa expectativa de arrefecimento da economia ao longo do segundo semestre, embora introduzam um viés baixista para nossas projeções de crescimento nos próximos trimestres.

A retração do consumo das famílias é particularmente relevante nesse diagnóstico, uma vez que ocorre mesmo diante de uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, sugerindo que os efeitos da política monetária contracionista, do elevado comprometimento de renda e das condições ainda restritivas de crédito começam a se sobrepor, ainda que parcialmente, aos vetores de sustentação da demanda. Sinais semelhantes podem ser observados na indústria, cujo crescimento agregado foi sustentado pelas atividades extrativas, enquanto a indústria de transformação e a construção recuaram. Nos serviços, segmentos importantes mais diretamente associados à demanda doméstica também apresentaram estabilidade ou contração.

Dessa forma, embora o PIB tenha vindo 0,1 p.p. acima da nossa projeção, entendemos que o qualitativo da divulgação aponta em direção menos favorável do que o índice cheio, impondo um viés baixista às nossas projeções trimestrais à frente, ainda insuficiente, contudo, para alterar nossa expectativa de crescimento de 1,9% em 2026.

Para 2027, por sua vez, avaliamos que a composição do resultado reforça nosso viés preliminar baixista para a atual projeção de crescimento de 1,5%, diante dos sinais de perda adicional de dinamismo da atividade. Para o terceiro trimestre, nossos modelos apontam preliminarmente para expansão de 0,2% t/t, dando continuidade à trajetória de desaceleração da economia brasileira.

No que diz respeito à condução da política monetária, entendemos que os dados divulgados hoje seguem compatíveis com a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário nas próximas reuniões. Ainda assim, diante do elevado grau de incerteza no ambiente doméstico e internacional, mantemos, por ora, nossa expectativa de redução de 25 bps da Selic na reunião de setembro, para 13,75% a.a. A partir daí, avaliamos que os próximos passos do Banco Central deverão permanecer em aberto, condicionados à evolução do cenário inflacionário e da atividade, bem como aos desdobramentos dos principais eventos geopolíticos no exterior e do processo eleitoral brasileiro.