Mercado de US$ 9,8 trilhões leva marcas esportivas a buscar novas fontes de receita

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O número de corridas de rua realizadas no Brasil cresceu 85% em 2025, sinal de que os eventos esportivos ganham espaço para além do público profissional e passam a integrar o calendário de lazer, viagens e convivência dos praticantes. O avanço ocorre em um mercado brasileiro de wellness que movimentou R$ 647 bilhões em 2024, equivalente a 5,78% do PIB nacional, enquanto a projeção global aponta para US$ 9,8 trilhões até 2029. É nesse cenário que a World Global Style Network (WGSN), principal autoridade global em previsão de tendências de consumo, design e estilo de vida, aponta a maratona aquática entre os movimentos que devem influenciar o lifestyle em 2026 e 2027. A empresa analisa dados de mercado e comportamento humano para orientar marcas no desenvolvimento de produtos alinhados às transformações futuras.

O crescimento das provas também amplia as formas de entrada e permanência no esporte. Corrida, natação, academia e travessias passam a conviver na rotina de pessoas que buscam saúde, socialização e metas pessoais, sem necessariamente se definir por uma única modalidade. Esse movimento alcança ainda a chamada saúde prata esportiva, com públicos maduros incorporando a atividade física como instrumento de autonomia e longevidade. Na Speedo, essa leitura se conecta à visão Anfíbio, já adotada pela companhia para integrar sua presença na água e na terra. “A principal concorrência do esporte hoje é o tempo livre. Quando uma prova vira viagem, encontro e meta pessoal, ela cria mais ocasiões para manter o hábito ativo”, afirma Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo.

A consolidação dos eventos como parte do lifestyle também altera a relação dos consumidores com roupas, cores e acessórios. Produtos esportivos deixam de responder apenas ao desempenho técnico e passam a comunicar pertencimento, modalidade, grupo e identidade. No Brasil, esse comportamento abre espaço para referências de brasilidade, como o verde e o amarelo, circularem em corridas, travessias, treinos e momentos cotidianos, sem depender exclusivamente de Copas ou grandes competições profissionais. “A brasilidade deixa de depender dos grandes campeonatos quando o evento esportivo vira espaço de pertencimento. O desafio é transformar essa identidade em produto sem perder a função técnica”, afirma Jalonetsky.