Valorização dos imóveis desacelera em maio, mas segue muito acima da inflação e do custo da construção

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IGMI-R, da Abecip, sobe 0,53% no mês e acumula alta de 18,45% em 12 meses; Recife, Curitiba, Salvador e Brasília seguem entre os destaques

A alta dos preços dos imóveis residenciais no Brasil perdeu força em maio, mas segue em patamar elevado e muito acima da inflação, do custo da construção e da variação dos aluguéis. O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Abecip, avançou 0,53% no mês, abaixo dos 0,67% registrados em abril. Em 12 meses, a valorização passou de 19,53% para 18,45%, sinalizando desaceleração na margem, mas ainda confirmando um mercado de compra e venda aquecido no país. 

A leitura do mês aponta mudança de ritmo, não de tendência. A valorização continua disseminada, embora de forma menos homogênea entre as capitais. Em mercados relevantes, como São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia, houve perda de intensidade no resultado mensal ou no acumulado em 12 meses. Ainda assim, o índice nacional segue em nível elevado. 

No recorte regional, o comportamento foi misto. No Sudeste, São Paulo desacelerou de 0,76% para 0,22% no mês, enquanto Belo Horizonte passou de alta de 0,87% para queda de 0,15%. O Rio de Janeiro foi na direção oposta, com avanço de 1,21% em maio. No Nordeste, Salvador ganhou força, com alta de 0,98%, e Fortaleza avançou 0,88%, enquanto Recife desacelerou na margem, mas manteve uma das maiores valorizações do país, com 28,07% em 12 meses. 

No Sul, Curitiba seguiu entre os mercados mais pressionados, com 28,39% em 12 meses, apesar da desaceleração mensal. Porto Alegre ficou praticamente estável no mês, mas acumula 18,53% em 12 meses. No Centro-Oeste, Goiânia recuou 0,10% em maio, enquanto Brasília subiu 0,61% e manteve valorização elevada, de 23,66% em 12 meses. 

Mesmo com a acomodação, o mercado segue distante de um cenário de estabilidade. No acumulado de 2026, o IGMI-R nacional sobe 4,60%. Entre as capitais, Recife lidera no ano, com valorização de 8,39%, seguida por Curitiba (7,46%), Porto Alegre (6,36%), Salvador (5,71%), Goiânia (5,44%) e Brasília (5,39%). 

Os comparativos com outros indicadores reforçam esse quadro. Em 12 meses, o IGMI-R acumula 18,45%, contra 6,68% do INCC, 5,42% do IVAR e 4,72% do IPCA. O dado mostra que os imóveis seguem se valorizando em velocidade muito superior à inflação, aos custos de obra e ao mercado de locação, sustentados por fatores como oferta mais restrita, demanda resiliente e maior apelo do imóvel como ativo patrimonial.