Linguagem simples: clareza que fortalece a confiança nas EFPC

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Por Jarbas Antonio de Biagi, diretor-presidente da UniAbrapp


A previdência complementar fechada é um setor que lida com decisões de longo prazo, segurança econômica e proteção social, e nesse ecossistema comunicar de maneira correta e eficiente não é um detalhe. Ao contrário, é parte essencial da boa governança. Nas Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), também conhecidas como fundos de pensão, a qualidade da comunicação influencia a relação com participantes, assistidos, patrocinadores, instituidores e órgãos de supervisão. Por isso, falar em linguagem simples é falar em eficiência, transparência e respeito ao público.


No entanto, comunicar com linguagem simples não é tão fácil quanto pode parecer à primeira vista. A previdência complementar fechada convive, por natureza, com temas técnicos: regulamentos de planos, políticas de investimentos, notas atuariais, demonstrações contábeis, comunicações institucionais, materiais de educação previdenciária e respostas a demandas cotidianas. Tudo isso exige precisão. Mas precisão não deve ser confundida com excesso de complexidade. Um texto pode ser tecnicamente correto e, ao mesmo tempo, claro, organizado e compreensível.


Trata-se de um desafio e tanto. Em um ambiente de informação abundante e atenção fragmentada, a comunicação que não consegue ser entendida perde efetividade. Quando o destinatário precisa reler várias vezes um aviso, um e-mail, uma norma interna ou um comunicado para compreender o que está sendo dito, a instituição cria barreiras desnecessárias. E barreiras de linguagem costumam gerar ruído, retrabalho, dúvidas, insegurança e distanciamento.


A linguagem simples ajuda a reduzir esse problema. Ela não significa empobrecer o conteúdo, abrir mão do rigor técnico ou “simplificar demais” assuntos complexos. Significa comunicar com foco no receptor da mensagem, organizar as ideias em ordem lógica, tornar a mensagem direta, explicar termos indispensáveis e apresentar a informação de forma mais acessível. Em outras palavras, significa comunicar para que a mensagem cumpra a sua função.


Confiança é uma palavra-chave nesse processo. Estamos falando de instituições que administram recursos com visão de longo prazo e que precisam fortalecer, continuamente, a confiança de seus públicos – que, nesse contexto, não se constrói apenas com solidez técnica e responsabilidade fiduciária. Ela também se constrói com clareza. Um participante que entende melhor seu plano, seus direitos, seus deveres e as decisões que afetam sua poupança previdenciária tende a se relacionar de forma mais segura e consciente com a entidade.


A comunicação clara também contribui para a inclusão. Nem todos os públicos – na verdade, poucos deles — dominam a linguagem técnica do setor previdenciário. Muitas vezes, expressões que parecem corriqueiras para especialistas são de difícil assimilação para quem está fora desse ambiente. Traduzir conteúdos complexos em mensagens mais compreensíveis é uma forma concreta de aproximar as entidades das pessoas, ampliar o acesso à informação e reforçar o compromisso com a transparência.


Esse movimento em favor da comunicação cada vez mais clara acompanha uma diretriz que vem ganhando força no setor público. A PREVIC (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), órgão governamental responsável por supervisionar o setor, lançou, em outubro de 2025, a campanha “Simplifica PREVIC”, como parte de seu plano de disseminação da linguagem simples em toda a autarquia, abrangendo desde mensagens eletrônicas até documentos mais elaborados. A iniciativa foi vinculada à orientação do Ministério da Previdência Social para ampliar a compreensão do público sobre os atos praticados por seus órgãos e entidades.


A PREVIC já esclareceu que seu plano segue a Portaria MPS nº 2.253/2025, que manteve a obrigatoriedade do uso da linguagem simples no âmbito do ministério e das entidades vinculadas. Segundo a autarquia, essa agenda inclui a revisão de publicações retroativamente a janeiro de 2023 e reforça a adoção da escrita acessível como parte do aprimoramento institucional.


Outro ponto relevante é o reconhecimento, pela própria PREVIC, de que a simplificação normativa também representa um avanço em transparência e integridade. A autarquia cita a Resolução PREVIC nº 23/2023 como exemplo significativo dessa diretriz, por ter sido concebida sob o ideal de facilitar a compreensão por parte dos operadores da norma e do público em geral.


Para as EFPC, essa discussão é mais do que uma tendência. É uma necessidade prática. Linguagem simples melhora a comunicação institucional, favorece o entendimento de documentos, reduz a necessidade de esclarecimentos posteriores e contribui para uma relação mais fluida entre entidades e participantes. Também fortalece o trabalho interno, porque ajuda equipes técnicas e administrativas a produzir textos mais objetivos, consistentes e úteis.


Na UniAbrapp, entendemos que esse esforço precisa ser apoiado por formação, reflexão e prática. Não basta defender a importância da clareza; é preciso desenvolver competências para aplicá-la no cotidiano profissional. Por isso, temos incentivado iniciativas educacionais que ajudem o setor a avançar nessa agenda, sempre com o cuidado de preservar o rigor técnico que a previdência complementar exige.


Nesse sentido, a UniAbrapp promoverá o curso “Linguagem Simples nas EFPC | Trilha I”, nos dias 12 e 13 de maio de 2026, em formato online e ao vivo. A formação integra a agenda oficial de 2026 da instituição e será ministrada por Olivia Rocha Freitas, com foco na produção de textos mais claros, precisos e acessíveis no contexto das entidades fechadas de previdência complementar.

Segundo Olívia, “o curso convida os profissionais a olhar para a própria escrita sob a perspectiva do leitor não técnico e perceber que ela pode ser mais acessível. Além disso, há um ganho de eficiência: comunicar-se de forma clara, objetiva e precisa é muito mais eficaz do que produzir textos longos e rebuscados que geram dúvidas e exigem esclarecimentos posteriores. Quando a comunicação é simples e direta, todos ganham, especialmente o público, que passa a entender melhor as informações recebidas”.
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