Isenção do IRPF: alívio no bolso é menor que o esperado

Imposto de Renda

Isenção do IRPF: alívio no bolso é menor do que o esperado, avalia professor de contabilidade Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Tiago Slavov.

A partir de janeiro de 2026, passou a valer a nova tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), com isenção para quem recebe até R$ 5.000 mensais e redução da tributação sobre rendas de até R$7.350 por mês.

Depois de uma intensa campanha ao longo de 2025 pelo aumento do teto de isenção do IRPF, a nova regra passou a gerar seus primeiros efeitos concretos na arrecadação federal.

Segundo o professor de contabilidade Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Tiago Slavov, como parte dos salários de janeiro é paga ainda no próprio mês e outra parte em fevereiro, foi na arrecadação do segundo mês do ano que o impacto passou a se tornar mais perceptível. 

Os dados do mês de fevereiro, divulgados pela Receita Federal, indicaram uma arrecadação recorde de R$ 222 bilhões. O governo atribuiu o resultado ao crescimento da economia. No entanto, para o docente da FECAP, uma análise mais detalhada revela movimentos menos evidentes. 

Efeito da isenção do IRPF na arrecadação de fevereiro de 2026

No caso do Imposto de Renda da Pessoa Física (somando o IR retido sobre salários e o IRPF recolhido), houve uma redução real na arrecadação de aproximadamente R$ 271 milhões.

Esse valor decorre da comparação entre o IR sobre rendimentos do trabalho — que passou de R$ 17,375 bilhões em fevereiro de 2025 para R$ 17,022 bilhões em fevereiro de 2026 — e o IRPF recolhido, que variou de R$ 2,608 bilhões para R$2,689 bilhões no mesmo período. 

“Ou seja, mesmo com aumento em uma das rubricas, o saldo agregado aponta uma queda. Considerando que cerca de 43 milhões de contribuintes entregaram a declaração do IRPF em 2025, a economia média mensal gerada pela ampliação da isenção seria de aproximadamente R$ 6 por contribuinte”.

Trata-se, evidentemente, de uma média simplificada, pois a progressividade do imposto faz com que o efeito varie bastante entre os contribuintes. “Mas o número não deixa de ser revelador”, acrescenta Slavov. 

Arrecadação de IOF aumentou

Curiosamente, enquanto o governo deixou de arrecadar R$ 271 milhões com o Imposto de Renda das pessoas físicas, houve um aumento de cerca de R$ 175 milhões na arrecadação do IOF incidente sobre operações de crédito para pessoas físicas, como empréstimos e financiamentos.

Em termos médios, isso sugere que parte relevante do ganho obtido com a redução do IR pode ter sido compensada pelo aumento do custo do crédito.

Assim, se os contribuintes economizaram cerca de R$ 6 com o Imposto de Renda, gastaram aproximadamente R$ 4 a mais com IOF no mesmo período. O resultado é uma “economia líquida” próxima de R$ 2. 

Mas o professor da FECAP faz uma ressalva: nem todos os contribuintes que pagam Imposto de Renda realizam operações de crédito, e vice-versa.

Ainda assim, o dado ilustra bem a dinâmica do sistema tributário: em termos econômicos, toda redução de custo em uma área tende a ser compensada por aumentos ou ajustes em outra.  

Para o professor, outro ponto que chamou a atenção na arrecadação de fevereiro foi o desempenho das receitas previdenciárias, que atingiram cerca de R$ 60 bilhões, quase um terço da arrecadação tributária federal no mês.

O crescimento real de aproximadamente R$ 3,3 bilhões é positivo, pois reflete a expansão do emprego formal e da atividade econômica, especialmente entre as empresas do Simples Nacional. 

“Por outro lado, o dado reforça o peso dos encargos sobre a folha de pagamento. Em um cenário em que a reforma tributária sobre o consumo já está em vigor e a reforma sobre a renda ainda está em discussão, a questão previdenciária permanece um dos principais desafios estruturais do sistema tributário brasileiro, independentemente de seu apelo político”, finaliza o docente da FECAP. 

O especialista: Tiago Nascimento Borges Slavov é doutor em Contabilidade pela USP e Mestre em Contabilidade pela FECAP. É professor do Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da FECAP e coordenador do Núcleo de Apoio Fiscal e Contábil (NAF) da FECAP.

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