IPCA-15 de março atualiza projeções para o mês

Economia

IPCA-15 de março de 2026 atualiza projeções para o mês

Estratégia Inflação – Atualização das projeções para o IPCA | Por Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos.

26/03/2026

Hoje (26/03) foi divulgada a leitura do IPCA-15 de março, em +0,44% na margem e +3,89% no acumulado dos últimos 12 meses. O número veio acima da mediana das expectativas de mercado, em +0,29%, e da nossa projeção, em +0,35%.

Entre os grupos de maior atenção, destaca-se a alta mais suave do grupo Educação (+0,05%), em vista da dissipação do efeito dos reajustes sazonais de cursos regulares de fevereiro.

Os Transportes também se desaceleraram, devido à queda de gasolina (-0,08%) — que ainda incorpora em parte a redução dos preços nas refinarias da Petrobras no final de janeiro –, seguro voluntário de veículo (-2,44%),  ônibus urbano (-0,59%, devido à gratuidade das tarifas aos domingos e feriados em algumas capitais), bem como pela alta mais suave de passagem aérea (+5,94%) e, em menor medida, de  automóvel novo (+0,01%). 

Vale lembrar que, para as próximas leituras, gasolina deverá registrar altas mais intensas, acompanhando o preço do petróleo no mercado internacional.

O grupo de Saúde e cuidados pessoais também se arrefeceu, para +0,36%, em vista principalmente da desaceleração dos serviços médicos e dentários (+0,27%) e de perfume (+0,92%).

Ademais, o grupo Comunicação (+0,03%) contou com deflação de aparelho telefônico (-0,97%).

Em sentido altista, o grupo Alimentação e bebidas (+0,88%) subiu mais do que o esperado por nós, com pressão de Alimentação no domicílio (+1,10%), por conta de alimentos in natura — notadamente os tubérculos, raízes e legumes (+7,49%), que foram parcialmente contrapostos pela queda das frutas (-1,31%) –, bem como as carnes (+1,45%), o feijão-carioca (+19,69%), os ovos (+7,54%) e o leite longa vida (+4,46%).

O grupo Despesas pessoais subiu mais do que esperávamos, por conta de serviços pessoais (+1,10%), notadamente serviço bancário (+2,12%). Cinema, teatro e concertos também voltou a registrar alta, após os descontos da semana do cinema em fevereiro.

Vestuário voltou a subir, para +0,43%, conforme a sazonalidade do agrupamento. Habitação (+0,24%) também se acelerou na margem devido aos reajustes de energia elétrica (+0,29%) no Rio de Janeiro.

Os serviços subjacentes vieram abaixo de nossa projeção e se arrefeceram na margem, para +0,51% (ante +0,66%), com redução do seguro voluntário de veículo (-2,44%), bem como altas mais fracas de médico e dentista.

A média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada dos serviços subjacentes ficou lateralizada em relação ao mês anterior, em +5,05%, enquanto os serviços intensivos em trabalho recuaram ligeiramente, de +7,16% para +6,97%.

Também vale mencionar que o agrupamento de itens inerciais deu continuidade à sua trajetória baixista, ao ceder de +5,40% para +5,00%.

Mesmo assim, a taxa acumulada em 12 meses dos serviços subjacentes ainda é elevada, em +5,44%, e não deverá mostrar muito alívio ao longo do ano.

Quanto à média dos núcleos, houve arrefecimento na margem, para +0,41%, mas a MM3m dessazonalizada e anualizada avançou para +5,6% (frente a +5,4%).  

📌 Em síntese, o IPCA-15 de março foi, qualitativamente, marginalmente melhor do que o esperado por nós, contrapondo-se à surpresa do IPCA-15 de fevereiro, principalmente em serviços subjacentes, com destaque para seguro voluntário de veículo.

A surpresa altista na margem concentrou-se em itens voláteis — passagem aérea, alimentos e cinema.

Dito isso, mesmo com uma leitura acima do esperado (0,44% vs. 0,35% Warren e 0,29% mediana) e sem piora qualitativa relevante, o dado não muda a nossa leitura de cenário.

 Tampouco há, neste número, evidência de impacto da guerra, que deve aparecer apenas no IPCA fechado de março. Ainda assim, a perspectiva para a inflação segue pior.

Do ponto de vista de cenário, mantemos nossa leitura de inflação mais pressionada — que já era mais elevada mesmo antes do choque recente — e não vemos, neste momento, espaço para revisões relevantes, seguimos com IPCA de 4,50%.

O ponto central é que esse dado reforça um processo de ajuste de expectativas: parte do mercado que ainda trabalhava com cenários mais benignos (na faixa de 3,5%–3,8%) deve começar a revisá-los, especialmente após uma sequência de surpresas altistas relevantes na inflação.

Autora: Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos

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