Selic em 15% acelera migração da indústria para crédito estruturado

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R$ 1,8 bilhão é provisionado para o setor industrial em meio ao avanço dos FIDCs


Juros elevados pressionam crédito bancário

O crédito para a indústria brasileira entrou em 2026 sob uma combinação rara de pressão e oportunidade. A taxa Selic mantida em 15% ao ano segue encarecendo o capital bancário e restringindo a oferta de financiamentos tradicionais, ao mesmo tempo em que amplia a busca por estruturas privadas. Dados indicam que o crédito bancário corporativo cresceu em ritmo moderado ao longo de 2025, enquanto o mercado de FIDCs avançou em velocidade muito superior.

No crédito estruturado, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios acumulam patrimônio de R$ 800 bilhões, consolidando-se como uma das principais fontes de liquidez para a economia real. Ao mesmo tempo, mais de 60% das indústrias relatam maior dificuldade de acesso ao financiamento bancário em comparação ao período anterior ao ciclo de alta de juros. Mesmo com eleições e juros elevados, o processo de desbancarização e migração para FIDCs ocorre em um ritmo nunca antes visto, redesenhando o mapa de funding industrial no país e ampliando o protagonismo das estruturas privadas na sustentação da produção, do investimento e do capital de giro.


R$ 1,8 bilhão em crédito direcionado à indústria

É nesse cenário que o Grupo Everblue provisiona R$ 1,8 bilhão em crédito direcionado exclusivamente à indústria. O movimento acompanha a crescente demanda por capital de giro, financiamento à cadeia de fornecedores e antecipação de recebíveis, nos quais os FIDCs se tornam cada vez mais atrativos.

Com mais de 7 mil operações realizadas e R$ 3 bilhões em crédito concedido ao longo de sua trajetória, o ecossistema da companhia combina soluções financeiras estruturadas a uma plataforma tecnológica que integra pagamentos, cobrança, conciliação e gestão de caixa.

Para Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, a transformação do mercado de crédito deixou de ser circunstancial e se tornou estrutural.

“A indústria brasileira opera hoje em um ambiente em que o crédito bancário tradicional se tornou menos atrativo, mais caro e mais lento. Isso abriu espaço para soluções privadas que entregam liquidez com velocidade, governança e aderência ao fluxo real das empresas”, afirma.


Crédito estruturado garante previsibilidade

Segundo o executivo, a provisão de R$ 1,8 bilhão em crédito industrial reflete uma mudança profunda na forma como as empresas organizam sua liquidez.

“As indústrias não buscam apenas acesso a recursos. Buscam previsibilidade de caixa, integração tecnológica e inteligência financeira. Quando conectamos crédito estruturado, serviços bancários e conciliação em um único ambiente, reduzimos fricção operacional e liberamos o empresário para focar na produção, na eficiência e na expansão”, diz Padula.

Ele acrescenta que a procura por financiamento à cadeia de fornecedores e antecipação de recebíveis tem crescido de forma consistente, especialmente entre empresas que precisam preservar capital de giro sem comprometer margens em um cenário de custo financeiro elevado.


Impacto direto na produção industrial

A aplicação prática desse movimento já se reflete no chão de fábrica.

“Temos casos em que indústrias conseguiram manter linhas de produção ativas mesmo após a redução de limites em bancos tradicionais, utilizando operações estruturadas através dos FIDCs e antecipação de recebíveis para liberar caixa, pagar fornecedores e sustentar o ritmo operacional. Em um exemplo recente, uma empresa industrial com múltiplas plantas utilizou crédito estruturado para financiar sua cadeia de suprimentos, evitando interrupções na produção e preservando contratos estratégicos”, relata Gabriel Padula.

Em um ambiente de juros elevados e maior seletividade bancária, o crédito estruturado se consolida como alternativa relevante para garantir capital de giro, estabilidade financeira e continuidade produtiva na indústria brasileira.