Ransomware avança no Brasil e passa a ser tratado como desastre corporativo pelas empresas

Negócios Tecnologia

Os ataques de ransomware avançam de forma acelerada no Brasil e deixaram de ser um problema restrito à área de tecnologia da informação. Cada vez mais, esse tipo de crime digital tem provocado impactos que extrapolam a segurança de dados e se consolidam como verdadeiros desastres corporativos.

Dados de relatórios internacionais de empresas como Sophos, IBM e Cyberint  indicam que mais de cinco mil ataques de ransomware foram divulgados globalmente em um único ano, com crescimento constante na frequência e na sofisticação das ofensivas. No Brasil, o país concentra a maior parte das tentativas de ataques cibernéticos da América Latina, refletindo um cenário de alta exposição.

“O ransomware não é mais apenas um incidente de segurança da informação. Hoje, ele representa uma crise operacional capaz de paralisar totalmente uma empresa”, afirma Erik de Lopes Morais, COO da Penso Tecnologia.

Quando um ataque ocorre, os impactos se espalham rapidamente pela organização. A indisponibilidade de sistemas afeta áreas como financeiro, logística, vendas, atendimento ao cliente e operações críticas, criando um efeito em cascata que compromete a continuidade dos serviços.

“Muitas empresas só percebem a real dimensão do problema quando seus ambientes digitais deixam de funcionar. Sem acesso a sistemas e dados, decisões estratégicas passam a ser tomadas sob forte pressão”, explica Erik.

Além da interrupção operacional, os prejuízos financeiros são significativos. Estudos apontam que o custo médio global de recuperação de um ataque de ransomware pode ultrapassar a casa de milhões de dólares, considerando paralisação, restauração de sistemas, resposta a incidentes e perda de receita.

No Brasil, levantamentos de empresas como IBM e Fortinet mostram que incidentes cibernéticos podem chegar a milhões de reais por ocorrência, especialmente quando envolvem dados sensíveis, informações de clientes ou operações essenciais ao negócio.

“Não se trata apenas do valor investido na recuperação técnica. Há custos indiretos elevados, como perda de faturamento, impacto na reputação e quebra de confiança de clientes e parceiros”, destaca o executivo.

Outro ponto crítico são os riscos regulatórios e jurídicos. Dependendo da natureza dos dados comprometidos, as empresas podem enfrentar sanções previstas em legislações como a LGPD, além de ações judiciais e exigências de comunicação pública do incidente.

“O impacto reputacional é um dos mais difíceis de reparar. Em muitos casos, a imagem construída ao longo de anos pode ser abalada em poucas horas após a divulgação de um ataque”, afirma Erik.

Diante desse cenário, cresce a percepção de que apenas investir em prevenção não é suficiente. A capacidade de recuperação rápida dos ambientes digitais passou a ser um fator decisivo para a sobrevivência das empresas diante de ataques cada vez mais frequentes.

“Os ataques continuam acontecendo. A diferença entre uma crise controlável e um desastre corporativo está no tempo de recuperação”, reforça o COO da Penso Tecnologia.