Mercado de suplementos avança em maturidade, tecnologia e inovação científica em 2026

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O mercado de suplementos alimentares entra em 2026 com perspectivas de crescimento sólido e contínuo, impulsionado por uma combinação de fatores demográficos, mudanças de comportamento do consumidor e avanços em formulações e tecnologia. Segundo dados da Fortune Business Insights, o tamanho do mercado de suplementos dietéticos foi avaliado em US$ 100,92 bilhões em 2025, e o mercado deve crescer de US$ 109,20 bilhões em 2026 para US$ 219,33 bilhões até 2034, exibindo um CAGR de 9,11% durante o período de previsão.

Os segmentos de nutrição esportiva e de suplementos específicos, como proteínas e produtos funcionais, continuam na vanguarda dessa expansão. Por exemplo, o mercado mundial de suplementos nutricionais esportivos e de fitness será cerca de US$ 28,3 bilhões em 2026, impulsionado pela crescente participação em programas de fitness e estilos de vida ativos, como indica o relatório Sports and Fitness Nutrition Supplements Market da Global Growth  Insights.

Junto a isso, Francisco Neves, CEO da Pronutrition, indústria que desenvolve e fabrica suplementos alimentares e bebidas funcionais para diferentes marcas, aponta que a demanda por suplementos proteicos, incluindo formatos convencionais e inovadores como bebidas prontas para consumo, seguirá em forte ascensão. Para ele, o impulsionamento se dá pela busca por desempenho físico, mas, sobretudo, pela tendência de consumo em prol de bem-estar geral e conveniência. 

“Em 2025, vimos produtos em gomas, géis e shots líquidos ganharem protagonismo, aproximando o uso do cotidiano. A expectativa de longevidade também foi fator que reposicionou a categoria, consolidando o consumo em prol do bem-estar geral e da manutenção da vitalidade, em paralelo à busca por alto rendimento e performance. Para 2026, a tendência é continuar seguindo nesta linha”, comenta Francisco. 

Outro fator decisivo para as perspectivas deste ano apontado pelo CEO é o avanço da tecnologia no desenvolvimento de produtos. A aplicação da inteligência artificial em pesquisa e desenvolvimento acelerou a análise de ingredientes, combinações e evidências clínicas, encurtando ciclos de inovação, mas também elevando o nível de responsabilidade técnica das marcas. No entanto, ela só faz sentido quando está apoiada em dados robustos e estudos bem conduzidos. 

“Também não podemos deixar de citar a saúde metabólica como um dos grandes eixos do mercado, especialmente diante da popularização dos medicamentos agonistas de GLP-1. Suplementos à base de proteínas, fibras e compostos antioxidantes passaram a ocupar papel estratégico no suporte nutricional, contribuindo para a manutenção da massa magra, saciedade e adequação de micronutrientes. Paralelamente, cresce o interesse por produtos voltados à saúde mental e cognitiva, com nootrópicos e bioativos regulamentados, integrados a rotinas preventivas e respaldados por evidências”, destaca Neves.

O ambiente regulatório reforça essa transformação. A prorrogação do prazo de adequação à RDC 843/2024, por meio da RDC 990/2025, foi vista pelo setor como uma oportunidade estratégica para elevar padrões de qualidade, ao mesmo tempo em que aumentaram as ações de fiscalização sobre produtos e comunicação. Para 2026, a expectativa é de um mercado mais seguro, competitivo e profissionalizado, no qual marcas que investem em estudos de estabilidade e conformidade regulatória tendem a se destacar.

 “O setor entra em 2026 mais consciente de que crescer não é apenas vender mais, mas entregar impacto real na saúde das pessoas. Essa é a base para um crescimento sustentável e para a consolidação definitiva da indústria de suplementos no Brasil. O consumidor está mais informado e espera transparência real sobre o que está consumindo”, conclui o especialista da Pronutrition.