O novo papel do escritório nas estratégias de crescimento

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Empresas passam a enxergar o espaço físico como ferramenta de produtividade, cultura e crescimento, e não mais apenas como despesa operacional

Durante muitos anos, o escritório foi tratado pelas empresas como um centro de custos inevitável. Aluguel, manutenção, operação e infraestrutura entravam na planilha apenas como despesas fixas. No entanto, esse olhar vem mudando rapidamente. Em um cenário marcado por trabalho híbrido, disputa por talentos e expansão mais estratégica, o espaço físico passou a ser entendido como um ativo capaz de gerar valor para o negócio.

Estudos recentes de consultorias globais como McKinsey e Gartner apontam que a experiência do colaborador se tornou um dos principais fatores de desempenho organizacional. Ambientes bem planejados, alinhados à cultura da empresa e às rotinas reais de trabalho contribuem diretamente para engajamento, retenção de talentos e eficiência operacional, transformando o escritório em parte da estratégia corporativa.

Essa mudança de mentalidade também está ligada à forma como as empresas crescem. Em vez de assumir contratos rígidos e altos investimentos iniciais, muitas organizações buscam modelos mais flexíveis, que permitam escalar operações, ajustar espaços e manter controle de custos sem abrir mão da qualidade do ambiente de trabalho.

Para Nikolas Matarangas, CEO da Be In, o escritório deixou de ser apenas um endereço para se tornar uma ferramenta de gestão. “Hoje, o espaço físico precisa trabalhar a favor da empresa. Quando o escritório é pensado como ativo estratégico, ele passa a apoiar decisões de crescimento, cultura e produtividade. Não é mais sobre metragem, é sobre como aquele ambiente contribui para o negócio no dia a dia”, afirma.

Outro ponto que reforça essa transformação é a consolidação do trabalho híbrido. De acordo com relatórios da CBRE e da JLL, empresas que mantêm escritórios físicos ativos estão priorizando espaços que estimulem encontros relevantes, colaboração e experiências que não acontecem no trabalho remoto. Nesse contexto, o escritório deixa de ser usado todos os dias por todos e passa a ser um local estratégico de conexão e tomada de decisão.

Além disso, a gestão contínua do espaço ganha protagonismo. Operação, manutenção, serviços de facilities e capacidade de adaptação ao longo do contrato tornam-se tão importantes quanto o projeto inicial. Um escritório que funciona bem ao longo dos anos preserva valor, reduz fricções internas e sustenta a estratégia da empresa.

“Quando as empresas entendem que o escritório é um ativo, elas passam a planejar melhor, investir com mais inteligência e extrair retorno real daquele espaço. É uma mudança de chave que impacta não só o financeiro, mas a forma como a empresa se posiciona para o futuro”, finaliza Nikolas.

Em um ambiente corporativo cada vez mais dinâmico, tratar o escritório como ativo estratégico deixou de ser tendência e passou a ser uma decisão competitiva para empresas que buscam crescer de forma sustentável.