Em 10 meses, Boutique de Crédito cresce 108% e revela a nova indústria do crédito corporativo

Uncategorized

Impulsionados pelos juros elevados e pela maior seletividade das instituições financeiras, os FIDCs seguem ganhando espaço como eixo central do financiamento empresarial. Em um ano marcado por restrições no crédito tradicional e aumento da demanda por estruturas mais técnicas, uma boutique de crédito especializada em originação high yield, crédito privado de maior retorno, estruturado fora dos bancos, com lastro real e risco mensurado, registrou um avanço incomum: o patrimônio líquido consolidado de seus FIDCs IOX I e IOX II saltou de R$ 924 milhões em dezembro de 2024 para R$ 1,931 bilhão em novembro de 2025, uma expansão de 108% no período. O crescimento supera o ritmo médio da indústria e acontece em meio à migração de investidores e empresas para modelos capazes de combinar governança, previsibilidade de fluxo e aderência às teses da economia real.

A movimentação reforça a tese de que estruturas baseadas em recebíveis seguem ganhando vantagem competitiva em ciclos de aperto monetário. No mercado, a busca por FIDCs cresceu de forma consistente, especialmente entre companhias que enfrentaram compressão de caixa, renegociação de dívidas e aumento no custo do capital bancário. Nesse ambiente, operações estruturadas com análise aprofundada de risco e engenharia de crédito técnico se consolidaram como alternativa complementar ao sistema financeiro tradicional, ampliando eficiência e acesso a capital qualificado. Para Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, o movimento confirma uma mudança estrutural no perfil de financiamento das empresas. “Não é sobre competir com os bancos, mas sobre complementar o sistema com estruturas que entendam a dinâmica real das empresas. O crescimento do patrimônio líquido reflete a qualidade das teses e a capacidade de originação que acompanha riscos de forma inteligente”, afirma.

O avanço também atinge o comportamento dos investidores institucionais, que ampliaram a alocação em produtos lastreados em risco privado diante da volatilidade da renda variável e da busca por retornos mais consistentes. Com demanda crescente por veículos especializados, a boutique intensificou modelos mais analíticos de gestão de risco, fortalecimento de estruturas de garantias e adoção de tecnologias que permitem acompanhar fluxos, inadimplência e esteiras de crédito com maior precisão. “Os investidores estão mais atentos à sofisticação. Querem estruturas transparentes, métricas sólidas e aderência a critérios técnicos. O crescimento de quase 108% no patrimônio líquido é resultado direto desse rigor”, diz Ionescu.

A expectativa para 2026 é de manutenção da pressão sobre o crédito bancário, com empresas buscando alternativas que ofereçam flexibilidade e previsibilidade. A expansão observada neste ano reforça que o mercado de crédito estruturado segue sendo um componente central na estratégia de financiamento corporativo, especialmente para companhias que operam com margens comprimidas ou ciclos longos de recebimento. O movimento indica um ambiente mais maduro, no qual boutiques especializadas devem seguir ganhando espaço ao entregar soluções que acompanham a realidade da economia real, mesmo em períodos de restrição monetária.