Os preços dos aluguéis disparam nas cidades; consórcio surge como alternativa para viabilizar a casa própria

Finanças Mercado Imobiliário

Em meio à alta dos valores, modalidade oferece vantagens e facilidades, que aliviam o bolso, como o uso de FGTS e dispensa de valor de entrada 

A conquista da casa própria é um sonho comum na lista de objetivos dos brasileiros. Com aumento expressivo registrado em 2025, os aluguéis acumularam quatro anos consecutivos de alta acima da inflação segundo o Índice FipeZAP  de Locação Residencial e, nesse cenário, fazer um consórcio de imóveis se apresenta como uma opção segura e viável para tornar o processo um aliado da saúde financeira. 

O consórcio, por ser uma modalidade planejada e inteligente de aquisição, permite atender às necessidades de qualquer cliente a longo prazo, evitando endividamento e tornando-se uma alternativa a empréstimos e financiamentos. Nesse contexto, Ariane Scacalossi, especialista em consórcios do Klubi, única fintech autorizada pelo Banco Central a operar como administradora de consórcios, comenta que o consórcio permite ao consumidor substituir a alavancagem por planejamento. “Em vez de antecipar consumo via crédito bancário, ele estrutura a aquisição dentro da própria capacidade de pagamento, preservando fluxo de caixa e reduzindo exposição a endividamento.”

Segundo o mesmo índice,  divulgado em janeiro de 2026, 32 das 36 cidades brasileiras listadas registraram aumento nos preços de aluguéis acima dos principais índices econômicos, atingindo alta média de 9,10% em 12 meses.

Abaixo, a especialista lista quatro vantagens ao adquirir um consórcio para obter a casa própria. Confira:

  1. Meia parcela – Também conhecida como parcela reduzida, a modalidade de meia parcela possibilita adequar o valor da carta de crédito, tornando-a mais acessível. Aqui, o consorciado pagará 50% do valor da parcela mensal até ser contemplado ou por um prazo determinado previamente na adesão. Após a contemplação, o pagamento volta a ser integral, e o valor pendente é distribuído nas parcelas seguintes, não alterando o valor final do consórcio. “Essa é uma alternativa interessante para quem paga aluguel e ainda não teve contato anterior com o consórcio, pois, no início do contrato, já traz um alívio financeiro para o bolso ao mesmo tempo em que ajusta o restante das finanças”, comenta Ariane.
  1. Sem entrada – Uma outra vantagem em adquirir um consórcio é a não exigência de pagamento na entrada, permitindo maior planejamento e menor preocupação em desembolsar um alto valor logo de cara caso a poupança não esteja cheia. Esse acesso facilitado torna a modalidade mais inclusiva, eliminando um custo adicional que pode comprometer o orçamento.
  1. Possibilidade de uso do FGTS como lance – A utilização do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é vista positivamente pelos consorciados, pois viabiliza a conquista do imóvel antes do previsto, por exemplo. Com esse valor, pode-se oferecer um lance, realizando o pagamento parcial ou total deste, complementar o crédito ou, ainda, ser usado para a liquidação e amortização do saldo devedor.

Porém, também é importante ficar atento aos pré-requisitos para conseguir utilizar o FGTS no consórcio, como ter no mínimo três anos de registro em Carteira de Trabalho, com depósitos regulares; a cota de consórcio deve pertencer ao titular da conta do FGTS; não ter outros financiamentos pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) no país; não possuir outro imóvel no mesmo município onde trabalha ou reside; deve ser residencial urbano; precisa estar situado na cidade onde o beneficiário trabalha ou reside há mais de um ano; o valor do imóvel não pode exceder os limites estabelecidos pelo comitê que regulamenta o FGTS (limite de R$ 1.500.000,00).

  1. Sem barreira de entrada no financiamento (não há análise de crédito) – Um dos principais diferenciais do consórcio é a menor barreira de entrada em comparação ao financiamento tradicional. Enquanto o crédito parcelado para compra de veículos ou imóveis costuma exigir entrada mínima — muitas vezes a partir de 20% do valor do bem —, além de análise de crédito prévia, comprovação de renda e extensa documentação, o consórcio permite adesão com muito menos exigências iniciais. Em geral, basta estar com o nome regular, passar seus dados e pagar a primeira parcela para ingressar no grupo. “Não há análise de crédito no momento da contratação, o que amplia o acesso para consumidores com score mais baixo ou que desejam fugir da burocracia bancária. A análise vem no momento da liberação do crédito, e o planejamento feito até ali conta a favor do cliente”, finaliza Ariane.