Por Carlos Sangiorgio, VP de Tecnologia e Operações da Evertec Brasil
As instituições que dominam essa tríade — IA, Blockchain e inovação aberta — atuam de forma proativa e adaptativa, transformando dados em vantagem competitiva e confiança em ativos estratégicos. O futuro dos serviços financeiros será definido pela integração entre transparência, inteligência e colaboração. Portanto, a Blockchain garante a confiança, a IA transforma dados em insights acionáveis e a inovação aberta amplia o alcance e a velocidade da transformação. Juntas, essas tecnologias não apenas otimizam processos, mas também redefinem a arquitetura do sistema financeiro global, tornando-o mais resiliente, ágil e orientado por dados.A transformação digital deixou de ser um diferencial e se tornou uma condição essencial para bancos e instituições financeiras. Recursos antes considerados inovadores, como internet banking, pagamentos instantâneos e carteiras digitais, agora fazem parte do cotidiano do consumidor. Nesse contexto, a verdadeira diferenciação surge da capacidade de utilizar tecnologia de forma estratégica: para gerar valor, reduzir riscos e antecipar necessidades. O crescimento das transações digitais e a entrada de novos players, como fintechs e bancos digitais, também elevaram a confiança e a segurança ao status de ativos críticos, reforçando a importância de uma infraestrutura tecnológica robusta e confiável para a sustentabilidade do sistema financeiro.
As tecnologias emergentes, combinadas à digitalização crescente do comportamento do consumidor, estão levando bancos e instituições a repensarem produtos, serviços e modelos operacionais. Nesse contexto, Blockchain e Inteligência Artificial (IA) surgem como pilares complementares na construção de um sistema financeiro mais transparente, preditivo e colaborativo.
Um estudo publicado na Journal of Emerging Technologies in Accounting aponta que a estrutura descentralizada e imutável do Blockchain oferece uma base confiável não apenas para registros financeiros, como também setores de suplychain, tokenização de ativos reais (RWA) e saúde, para citar alguns, reduzindo riscos de fraudes e manipulações. Por sua vez, algoritmos de IA aplicados ao grande volume de dados gerados pelas transações permitem identificar padrões e anomalias em tempo real, elevando a eficiência operacional e fortalecendo os mecanismos de proteção. Na prática, essa integração significa que segurança e inovação não são mais metas separadas, mas dimensões indissociáveis de um mesmo esforço para construir confiança, rastreabilidade e governança robusta no setor financeiro.
Com isso, o Blockchain desponta como uma possibilidade de espinha dorsal da confiança digital. Mais do que uma base de dados distribuída, ele cria uma infraestrutura de rastreabilidade, transparência e segurança criptográfica, minimizando fraudes e aumentando a eficiência de processos como liquidação de ativos, transferências internacionais e concessão de crédito. Já a IA atua como o motor analítico dessa nova arquitetura financeira, detectando fraudes em tempo real, analisando a dinâmica de crédito e precificando com base no risco comportamental. Juntas, essas tecnologias elevam a precisão das decisões e fortalecem a governança algorítmica, viabilizando um sistema de gestão financeira não apenas reativo, mas preditivo, automatizado e escalável.
No entanto, o impacto vai além da tecnologia. Processos antes lineares e centrados em estruturas proprietárias estão sendo substituídos por ecossistemas conectados, nos quais dados, parceiros e tecnologias convergem para criar modelos de negócio. Nesse cenário, a capacidade de capturar, processar e validar informações em tempo real tornou-se um diferencial competitivo essencial, permitindo operações mais seguras, auditáveis e inteligentes.
Dentro deste cenário, outro ator de muita relevância é a inovação aberta. Ao conectar bancos, fintechs, startups e instituições reguladoras em um ambiente de cocriação contínua, a inovação aberta acelera o desenvolvimento de soluções interoperáveis baseadas em IA e Blockchain. Esse movimento redefine o conceito de competitividade no setor, mostrando que não vence quem apenas detém a tecnologia, mas quem integra e colabora de forma mais eficiente para gerar valor em rede.
Essa convergência tecnológica entre IA, Blockchain e inovação aberta está reconfigurando os fundamentos da intermediação financeira. Impulsionado por avanços tecnológicos e iniciativas governamentais, o mercado de tecnologia Blockchain sozinho deve atingir cerca de US$ 619,28 bilhões até 2034, com um CAGR de 53,2% entre 2024 e 2034, segundo a Precedence Research. Esse crescimento evidencia como a solução transforma negócios, aprimorando a segurança, simplificando procedimentos e aumentando a confiança, especialmente no segmento bancário.