Esfera Brasil debate desafios e oportunidades

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Esfera Brasil debate desafios e oportunidades para o País.

Atualização do texto em 27 de agosto de 2025:

Fórum reuniu no Palácio Tangará, em São Paulo, governadores, autoridades, lideranças partidárias e representantes do setor privado para debater estratégias de desenvolvimento do país

Na imagem, os presidentes Gilberto Kassab, do PSD, Antonio Rueda, do União Brasil, Baleia Rossi, do MDB, Renata Abreu, do Podemos, Valdemar Costa Neto, do PL, e o mediador, Márcio Gomes, em painel do Seminário Brasil Hoje (foto: Divulgação/Esfera Brasil)

Agosto de 2025 – Cenários para as eleições de 2026, desafios econômicos e política externa diante do tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, foram tema de debates no Seminário Brasil Hoje, promovido nesta segunda-feira (25) pela Esfera Brasil no Palácio Tangará, em São Paulo (SP). O evento reuniu autoridades do Legislativo e Judiciário federais, além de governadores, lideranças partidárias e de agências reguladoras, empresários e outros representantes do setor privado.

Cotado como pré-candidato à Presidência, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), citou Juscelino Kubitschek ao afirmar que o Brasil precisa “fazer 40 anos em 4” ao enfatizar a urgência de ações estruturantes para o desenvolvimento do país.

Para Tarcísio, a agenda fiscal deve ser enfrentada com medidas como desindexação e desvinculação de despesas hoje obrigatórias, além de desinvestimento em áreas de baixo retorno em termos de políticas públicas.

“O que queremos deixar de legado: prosperidade ou dívida? Se gastamos mais do que podemos, drenamos produtividade, matamos o investimento e condenamos gerações futuras”, disse. O governador paulista mencionou a Argentina ao defender redução no número de ministérios e cortes de gastos para impulsionar o crescimento.

Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendeu a construção de uma frente ampla de partidos dos mais diversos pontos do espectro ideológico, à semelhança do que foi feito no Chile ao fim da ditadura de Augusto Pinochet, encerrada em 1990.

O arranjo, chamado de concertación, durou 20 anos. “Para que a gente possa realmente superar um momento difícil em relação às nossas instituições, precisamos ter nas eleições do ano que vem uma liderança forte que possa fazer essa concertação”, afirmou.

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), endossou a união de lideranças na construção de consensos políticos.

Big techs e política externa

Em painel sobre a regulamentação das redes sociais, o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) disse que as chamadas big techs, como Meta e Alphabet, não podem “criar suas próprias leis”.

“Eles não são Estados. São grandes corporações transnacionais que têm que seguir a legislação dos Estados onde atuam”, defendeu.

Para o deputado federal Rubens Pereira Jr. (PT-MA), a “nova era de comunicação” pós-redes sociais “não vai destruir a democracia”. “Passa pela regulamentação? Passa. Isso não significa censura em nenhuma hipótese. Pelo contrário, ela vem é para facilitar ainda mais o acompanhamento daquilo que está sendo debatido”, disse.

No campo internacional, o ex-presidente Michel Temer classificou o tarifaço de Trump como um “equívoco muito grande” e defendeu pragmatismo. “Se estivesse na Presidência, insistiria em ligar diretamente para Trump para resolver a questão”, disse.

O secretário-executivo do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, negou interesse do governo em explorar politicamente a crise comercial. “A defesa da nação encanta a todos, mas não se transforma em votos”, analisou, “É preciso separar política externa do calendário das eleições”.

Para a CEO da Esfera Brasil, Camila Funaro Camargo Dantas, a crise tarifária é um teste da maturidade política econômica do país.

“Para falar com autoridade no exterior, é indispensável transmitir solidez no plano interno. E esse é o fio condutor do nosso evento hoje: equilíbrio fiscal, estabilidade regulatória e ambiente de negócios previsível. O Brasil não é um enigma, mas um teste de execução. Temos escala, temos talentos e temos recursos. O que falta é disciplina para transformar diagnósticos em entregas”, afirmou.

Já a economista Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, criticou a retórica brasileira, que, em sua visão, ampliou ruídos diplomáticos, e cobrou ousadia estratégica.

“Não podemos ficar presos a respostas imediatistas. O Brasil precisa de uma inserção global mais ambiciosa e de longo prazo”, disse.

Política fiscal e taxa de juros

Na economia doméstica, o ex-presidente do Banco Central e hoje vice-chairman de políticas públicas do Nubank, Roberto Campos Neto, avaliou que há espaço para cortes de juros no curto prazo, mas alertou para limites estruturais.

“Com as condições fiscais atuais, o juro pode cair para 12%, 13%. Ir para 11% já seria otimista”, disse. A Selic hoje está em 15% ao ano.

Para o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, o Brasil decidiu ter um Estado socialmente grande – e para isso é preciso ter uma carga tributária compatível – “senão a gente não vai ter nenhuma responsabilidade fiscal e não vai estabilizar a dívida pública”.

“Não adianta a gente se iludir, achar que a gente vai ter uma carga tributária igual à do México ou da Colômbia e ao mesmo tempo tem um Estado que dá os benefícios sociais e gasta como o Estado brasileiro. A gente quer se comparar com o México, com a Colômbia? Ou a gente quer se comparar com os países europeus ou mesmo com os Estados Unidos? É uma decisão política que a sociedade tem que tomar”, analisou.

Para o economista e ex-presidente do Insper Marcos Lisboa, a questão é que o Brasil é um Estado “cheio de vazamentos”. “Inventamos esse país curioso, ao contrário do resto do mundo, em que o recurso público é capturado por uma série de grupos antes de chegar na população”, afirmou. “E com frequência não chega”.

O chairman do BTG Pactual, André Esteves, encerrou o evento projetando cortes de juros pelo Federal Reserve (o BC dos EUA) a partir de setembro.

“A economia dos EUA está no pleno emprego, mas os números começam a se mostrar mais suaves. Como a taxa está muito acima do nível neutro, faz todo sentido iniciar uma queda”, afirmou.

Segundo Esteves, os mercados precificam de três a quatro cortes de 25 pontos-base até o fim do ano, o que reduziria cerca de um ponto percentual. “Historicamente, juros em queda nos EUA são extremamente positivos para mercados emergentes, onde o Brasil se inclui”, observou.

Atualização do texto em 25 de agosto de 2025:

O governador Ronaldo Caiado foi um dos painelistas do Seminário Brasil Hoje, promovido pelo Instituto Esfera Brasil, nesta segunda-feira (25/08), e defendeu a condução de políticas públicas que consolidem um país focado no progresso.

“É a grande diferença que existe em um país que acredita no desenvolvimento, na renda, no empreendedorismo, na capacidade de gerar emprego e de, cada vez mais, construir o sucesso”, ressaltou ao mostrar que iniciativas consolidadas em Goiás colocam o estado no celeiro mundial da inovação. Ele integrou a programação acompanhado pela coordenadora do Goiás Social e primeira-dama, Gracinha Caiado.

Caiado enfatizou o papel da Inteligência Artificial (IA) para aumentar a competitividade e citou a Política Estadual de Fomento à área, pioneira no Brasil, além do programa Epicentro da Inteligência Artificial.

A iniciativa, com aporte de R$ 2 milhões, vai desenvolver projetos em saúde, educação e agronegócio, atraindo e acelerando startups em parceria com pesquisadores de outros países.

“É algo que nós estamos fazendo com vários pesquisadores na Índia, como também nos Estados Unidos, para que a gente possa desenvolver. É extremamente importante esse avanço nosso na área”, disse.  

Painel de governadores em evento do Esfera Brasil. Foto: André Saddi

O Epicentro terá financiamento equity free — sem participação acionária do governo — e será dividido em quatro etapas. Cerca de 150 startups participarão da pré-incubação em setembro, e apenas 10 chegarão à fase final, recebendo R$ 200 mil em recursos estaduais, além de mentorias, infraestrutura de ponta e apoio para registro de propriedade intelectual. O programa é fruto de parceria entre o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA/UFG) e o Hub Goiás, voltado ao empreendedorismo inovador.  

Mediado pelo jornalista Jaime Spitzcovsky, o debate abordou também a regulação da IA. Caiado criticou o modelo atual de legislação no Brasil. “A legislação brasileira que está aí, é uma legislação que, ao invés de incentivar, trava a pesquisa do país, ela criminaliza o criador. O que nós aprovamos e sancionamos em Goiás é código aberto, não se penaliza o desenvolvedor daquela inteligência artificial ou quem elaborou o software”, pontuou.

Ele alertou que o país não pode perder novas oportunidades globais: “Nós já perdemos o nosso período de globalização. Nós não podemos perder a parte de energia que nós temos mais renovável. Nós não podemos mais perder a inteligência artificial”.

Diálogo sobre o Brasil

Caiado integrou o painel “Entre Estados e Futuro: liderança em debate”, ao lado dos governadores Cláudio Castro (RJ), Helder Barbalho (PA), Raquel Lyra (PE) e Romeu Zema (MG).

“No momento que você vê o potencial do governo e, ao mesmo tempo, tem um plano estratégico para recuperar a credibilidade do Estado, do governante, da política, da autoestima do povo, você faz com que o Estado responda à altura. Aí você tem patamares impressionantes”, declarou o governador goiano ao citar os resultados na segurança, educação, saúde, ações sociais e serviços digitais.

A exemplo de Goiás, a governadora pernambucana, Raquel Lyra, citou êxito do Porto Digital de Recife ao detalhar como a parceria acadêmica, pública e privada é central para estabelecer um ambiente de inovação.

“Nós alinhamos a nossa matriz econômica tradicional com o trabalho de inovação, ciência e tecnologia”, declarou. O Porto Digital é parceiro do Hub Goiás, localizado em Goiânia. O trabalho apoia startups e empreendedores na criação e crescimento de negócios inovadores.

Fomento ao diálogo

O seminário contou ainda com a presença de autoridades como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além de representantes do setor privado, como o presidente da Febraban, Isaac Sidney, e os economistas Zeina Latif e Marcos Lisboa.

O ex-presidente da República, Michel Temer, também participou da programação. O Instituto Esfera Brasil atua para fomentar o diálogo sobre o país. O grupo reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva com a missão de engajar líderes em prol do Brasil. O foco é gerar discussões que visam a construção de um futuro melhor para a nação.

São Paulo, 21 de agosto de 2025

Evento na próxima segunda-feira (25/8) no Palácio Tangará, em São Paulo, terá ministros, governadores, prefeitos, congressistas e lideranças do setor privado para debater desafios e oportunidades para o Brasil na atual conjuntura econômica.

A Esfera Brasil reunirá ministros de Estado, governadores, congressistas e líderes partidários e do setor privado no Seminário Brasil Hoje.

O encontro, no Palácio Tangará, em São Paulo, terá a presença dos governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Raquel Lyra (PE) e Cláudio Castro (RJ), além do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.

Entre os painelistas confirmados, estão os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, do PSD, Gilberto Kassab, do União Brasil, Antonio Rueda, e do MDB, Baleia Rossi, além dos deputados federais Orlando Silva (PCdoB – SP), Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

O seminário irá debater temas como perspectivas eleitorais, regulamentação das redes sociais, papel das agências reguladoras, cenário econômico e produtividade no Brasil.

Também participam das discussões o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o secretário-executivo do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, o presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Tiago Faierstein, o diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Theo Sampaio e o superintendente-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Alexandre Barreto, além do advogado e ex-ministro da Justiça Nelson Jobim e do jurista e ex-ministro do STJ Cesar Asfor Rocha.

O setor privado será representado por nomes como o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, o vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank, Roberto Campos Neto, e o vice-presidente institucional da Multiplan, Vander Giordano, além dos economistas Zeina Latif, da Gibraltar Consulting, e Marcos Lisboa.

Serviço:

Data: 25 de agosto de 2025

Horário: 8h30 às 17h

Local: Palácio Tangará – Rua Deputado Laércio Corte, 1501 – Panamby, São Paulo – SP

Mais informações: eventos.esferabrasil.com.br/seminario-brasil-hoje-2025

Conteúdo: Esfera Brasil

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Edição visual da página: Ernani Fagundes, jornalista especializado (MBA da B3) em informações econômicas, financeiras e de mercado de capitais.

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