Painel discute crédito, riscos e critérios de investimento no setor sucroenergético 

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Durante debate na 26ª Conferência Internacional DATAGRO, executivos analisaram o momento do mercado nacional e internacional e os desafios do setor 

São Paulo, outubro de 2026 – O setor sucroenergético deverá enfrentar um ambiente de crédito ainda restritivo, crescimento econômico modesto e maior exposição a riscos climáticos, fatores que exigem planejamento financeiro rigoroso e avaliação criteriosa dos investimentos. A perspectiva de Cristiano Oliveira, diretor executivo do Banco Pine, foi apresentada nesta terça-feira, 27, durante o painel “Visão do Mercado Financeiro”, realizado na 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, com a participação de executivos do Banco Pine, da gestora Tarpon e da consultoria de riscos Marsh. 

Cristiano Oliveira, diretor executivo do Banco Pine, afirmou que a economia brasileira continuará sujeita a pressões internacionais sobre inflação, juros e custos de financiamento. Segundo ele, cinco grandes tendências globais – geopolítica, inteligência artificial, mudanças demográficas, transição energética e inovação financeira – influenciam os preços dos ativos, das commodities, do câmbio e do crédito. 

Na avaliação do executivo, as taxas de juros devem permanecer elevadas em termos históricos, mesmo com a expectativa de continuidade do ciclo de redução da Selic no Brasil. Oliveira também projetou um cenário desafiador para 2027, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro inferior a 1%, demanda interna fraca e necessidade de ajuste fiscal. 

“Independentemente do resultado das eleições, o Brasil tem em 2027 um ano muito desafiador. Desde junho, o Banco Pine trabalha com a expectativa de que o crescimento do PIB no ano que vem não chegue nem a 1%. Isso não tem a ver com a questão eleitoral, já é um cenário contratado”, afirmou. 

O executivo acrescentou que a perspectiva de um fenômeno de El Niño intenso também representa um fator de preocupação para a atividade agropecuária. A combinação de juros elevados, crédito mais caro e possíveis perdas relacionadas ao clima pode limitar a capacidade de investimento das empresas e pressionar os resultados do setor. 

Oliveira ressaltou ainda que juros altos não são necessariamente favoráveis aos bancos, pois aumentam o risco de inadimplência. Para o executivo, a redução das taxas tende a favorecer o ambiente de crédito, embora não deva levar o custo do dinheiro aos níveis historicamente baixos observados em períodos anteriores. 

Eficiência e preço são determinantes para o investimento 

A seleção de empresas em setores cíclicos, como o agronegócio, exige atenção à capacidade de atravessar diferentes fases do mercado. Enrico Grimaldi, sócio da Tarpon, explicou que a gestora adota três critérios centrais ao avaliar oportunidades: a eficiência operacional da companhia, a atratividade do setor em que atua e o preço pago pelo investimento. 

A estratégia considera que empresas mais eficientes tendem a suportar melhor períodos desfavoráveis do ciclo das commodities, mesmo quando as decisões de investimento ocorrem em momentos menos favoráveis do mercado. 

“Quando vamos investir em setores cíclicos, como o agronegócio e as commodities, buscamos o produtor mais eficiente, porque é a empresa que, estando certa ou errada no timing do ciclo, vai sobreviver ao longo dos ciclos. Também escolhemos setores que conhecemos bem e olhamos para o preço que estamos pagando. O objetivo é pagar um valor justo ou descontado”, pontuou Enrico Grimaldi. 

A Tarpon investe tanto em companhias listadas em bolsa quanto em empresas privadas, por meio de participações minoritárias ou investimentos estratégicos. De acordo com o executivo, a combinação entre eficiência, conhecimento do setor e disciplina na avaliação de preços é especialmente importante em mercados sujeitos a oscilações de preços e margens. 

Gestão de riscos precisa entrar no planejamento financeiro das usinas 

Para Raphael Juliace Magalhães, superintendente de Agro, Alimentos & Bebidas e Usinas da Marsh, a gestão de riscos deve fazer parte das decisões estratégicas das empresas, especialmente em projetos de expansão que dependem de resultados financeiros ao longo de vários anos. 

O executivo destacou que as usinas estão expostas a uma combinação de fatores, como eventos climáticos, volatilidade dos preços do açúcar e do etanol, variações cambiais, exigências relacionadas à transição energética e ameaças cibernéticas. Essas exposições podem afetar a produção, a geração de caixa e a capacidade de financiar novos investimentos. 

“Quando uma usina decide investir, normalmente projeta margens, produção e geração de caixa. Se, no decorrer desse investimento, alguma coisa acontece, como fica esse retorno? Como fica essa projeção de caixa? A gestão de riscos ajuda a avaliar essas exposições e a proteger o caixa e a capacidade de investimento das usinas”, esclareceu Magalhães. 

Ele defendeu que as empresas incorporem cenários adversos às decisões de investimento, identifiquem dependências críticas, quantifiquem possíveis impactos financeiros e combinem medidas de prevenção com instrumentos de proteção, como seguros. 

Magalhães também propôs três perguntas que, em sua avaliação, deveriam integrar as discussões dos conselhos de administração: quanto o negócio pode perder, quanto dessa perda pode ser indenizado pelo seguro e como a empresa sustentará seus pagamentos até a recuperação da operação. 

Para a Marsh, a abordagem deve conectar riscos operacionais, estratégia de crescimento e preparação das equipes. O objetivo é aumentar a resiliência financeira das usinas e preservar a continuidade operacional mesmo diante de eventos que comprometam temporariamente a produção ou o fluxo de caixa. 

Serviço 

26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol 

Data: 26 e 27 de outubro de 2026 

Local: Grand Hyatt Hotel – Avenida das Nações Unidas, 13.301, São Paulo (SP) 

Mais informações: https://datagroexperience.com/eventos/conferencia-internacional-datagro-2026/  

Sobre a DATAGRO 

Com mais de 40 anos de mercado, a DATAGRO é uma consultoria agroindustrial independente com atuação global e referência no setor. 

A companhia produz análises, notícias e dados primários sobre agropecuária, soja, milho, algodão, cana, açúcar, etanol, biodiesel, café, citrus, pecuária, leite e outros mercados, orientando a tomada de decisão de clientes em mais de 50 países. São mais de 130 relatórios mensais sobre 18 commodities agrícolas, de energia e mercados. 

Ao todo, a DATAGRO reúne doze unidades de negócios: Alta Performance, Análise de Mercado, Consultoria Estratégica, Gestão, Markets, Financial, Governos, Benri, DataMaps, Deag, Geocane e Experience, área responsável pelos eventos, incluindo o Global Agribusiness Forum (GAF) e o Global Agribusiness Festival (GAFFFF). 

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