A chegada de novas versões de canetas à base de semaglutida, princípio ativo utilizado no tratamento do diabetes e da obesidade, amplia as opções disponíveis dentro de uma categoria que ganhou escala nos últimos anos. De acordo com a pesquisa inédita da Brace Pharma, cerca de 69% dos médicos prescrevem canetas emagrecedoras via clique, contra 31% dos especialistas que optam pela prescrição por dose fixa. O resultado desse estudo chega em um momento importante considerando o avanço dos medicamentos da classe GLP-1 no mercado brasileiro. Apenas no 1º trimestre de 2026, o mercado formal da categoria cresceu 125% em faturamento e 70% em volume comercializado de doses na comparação com o mesmo período. “Nós temos uma preocupação muito grande em oferecer um medicamento que realmente converse com as necessidades da classe médica. Sabemos que as diretrizes preveem a titulação gradual e personalizada da dose para cada paciente. Trabalhar com esses ajustes, sempre de acordo com a orientação médica, amplia as possibilidades de condução do tratamento e permite uma abordagem mais individualizada para cada paciente”, afirma Marco Aurélio Rabadan, diretor da Brace Pharma.
De acordo com a médica Cynthia Melissa Valério, presidente da Associação Brasileira para Estudos da Síndrome Metabólica e da Obesidade (ABESO), embora o uso das canetas emagrecedoras cresça a cada ano, parte dos pacientes enfrenta dificuldades para manter o tratamento devido a efeitos adversos na hora da titulação, como náuseas e efeitos gastrointestinais e também devido ao custo. Nesse contexto, o ajuste da dose por meio de cliques podem contribuir para uma adaptação mais gradual ao medicamento, sempre sob orientação médica.
Para a endocrinologista, essa possibilidade de ajuste pode ajudar na continuidade da terapia ao permitir uma adaptação mais progressiva. “A obesidade, por exemplo, é uma doença que não tem cura e muitas vezes o médico ‘queima’ a medicação quando o paciente tem problemas na adaptação. Esse é um dos principais desafios, porque nossa preocupação é com a saúde e a segurança do paciente ao longo de todo processo. Para isso, a adesão ao tratamento e o acompanhamento médico são fundamentais”, afirmou.