42,8 mil blindagens em um ano: Tecnologia mira espaço entre carro comum e blindado

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O avanço da busca por segurança dentro dos automóveis começa a abrir espaço para uma nova disputa no mercado brasileiro de proteção veicular. Em 2025, 42,8 mil veículos receberam blindagem no país, alta de 24,6% sobre as 34.402 unidades registradas no ano anterior e o maior volume da série histórica iniciada em 1995. O movimento continuou em 2026: somente no primeiro semestre, o Exército Brasileiro emitiu 17.290 autorizações para blindagem, crescimento de 4,6% sobre igual período de 2025. A procura ocorre em um país que ainda convive com números elevados de crimes patrimoniais envolvendo automóveis. O Ministério da Justiça contabilizou 215.121 furtos de veículos em 2024, média próxima de 588 ocorrências por dia; no mesmo ano, somente São Paulo registrou 31.696 roubos de veículos, enquanto o Sudeste concentrou 69.279 casos. É justamente entre o automóvel sem proteção adicional e a blindagem balística que uma nova categoria tenta ganhar escala no país: o reforço estrutural de vidros contra tentativas de intrusão e impactos severos. Nesse mercado, a Iron Glass, que chegou ao Brasil em 2024, entra agora em uma segunda fase de expansão depois de uma trajetória internacional que, segundo dados institucionais da companhia, soma aproximadamente 25 anos e mais de 250 mil veículos processados nas Américas.


A tecnologia atua diretamente sobre os vidros do próprio automóvel, por meio de polímeros e processos executados sob condições controladas de temperatura e pressão, com o objetivo de aumentar a resistência diante de tentativas de ruptura, reduzir a dispersão de estilhaços e dificultar o acesso ao habitáculo. A diferença de posicionamento é central: não se trata de película antivandalismo nem de blindagem balística, e a empresa não apresenta a tecnologia como substituta da proteção contra projéteis. A tese é atender outro perfil de consumidor, interessado em criar uma barreira adicional contra invasões e impactos no uso cotidiano do veículo. “Existe um grupo de consumidores que quer aumentar o nível de proteção do automóvel, mas que não necessariamente necessita de proteção balística. Nosso desafio é mostrar que segurança veicular não precisa ser entendida apenas entre dois extremos. Há diferentes necessidades, tecnologias e níveis de proteção”, afirma Oscar Pintos, CEO Ironglass Brasil. O modelo já passou por outras etapas de expansão internacional: no México, onde a operação começou em 2019, a companhia informa ter ultrapassado 10 mil veículos processados e alcançado 7 cidades, além de ter desenvolvido relacionamento com fabricantes como Ford e Nissan em projetos e validações específicos daquele mercado. Essas experiências, porém, não representam homologações das montadoras no Brasil.


Depois da fase inicial de implantação brasileira, a estratégia passa agora pela construção de escala. A empresa pretende ampliar a presença em São Paulo, desenvolver canais com concessionárias, locadoras, frotas e outros parceiros do setor automotivo e, posteriormente, avançar para outras regiões do país, com Nordeste e Centro-Oeste entre os mercados inicialmente considerados prioritários. O primeiro objetivo da frente B2B é chegar a pelo menos 300 veículos processados por mês, ou 3.600 ao ano, enquanto uma segunda estrutura produtiva em desenvolvimento foi planejada para acrescentar capacidade de aproximadamente 600 veículos mensais. Em uma etapa posterior, as estruturas poderiam alcançar capacidade combinada de até 900 veículos por mês. Os números representam capacidade planejada e objetivos estratégicos da companhia, e não projeções garantidas de vendas. “O Brasil reúne uma combinação difícil de encontrar em outros mercados: escala automotiva, grandes centros urbanos, uma cadeia madura de serviços para veículos e consumidores que já conhecem diferentes soluções de segurança. Isso cria condições para desenvolver uma categoria que ainda não está claramente estabelecida no país”, diz CEO da Iron Glass Brasil.


O movimento também revela uma transformação mais ampla na maneira como o brasileiro começa a enxergar a segurança automotiva. O recorde sucessivo da blindagem mostra que existe disposição crescente para incorporar proteção à decisão de compra e uso do veículo, mas o próprio tamanho da frota brasileira indica espaço para soluções destinadas a perfis de risco diferentes. Para a Iron Glass, o desafio dos próximos anos será menos explicar a necessidade de segurança e mais consolidar uma definição que o consumidor ainda conhece pouco: proteção estrutural não balística dos vidros automotivos contra intrusão e impactos severos. “A expansão será consequência da compreensão da categoria. Quando o consumidor perceber que existem diferentes camadas de proteção e puder escolher aquela adequada à sua realidade, o mercado passa a ser muito maior do que uma única solução. É essa mudança de percepção que queremos ajudar a construir no Brasil”, conclui Pintos.