O crédito corporativo no Brasil atravessa uma mudança estrutural, que pode gerar oportunidades para as indústrias. Com a taxa Selic mantida em patamares elevados, de R$ 14,75 ao ano, o custo do dinheiro segue pressionando empresas e restringindo o acesso ao financiamento tradicional. Dados mostram que a indústria de fundos captou R$ 88,4 bilhões líquidos em 2025, sendo R$ 84,3 bilhões direcionados à renda fixa, enquanto os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios já se aproximam de R$ 800 bilhões em patrimônio. Ao mesmo tempo, mais de 60% das empresas relatam maior dificuldade na obtenção de crédito bancário, segundo levantamentos de mercado. Esse cenário impulsiona um movimento acelerado de desbancarização, no qual companhias passam a buscar alternativas mais ágeis, flexíveis e alinhadas ao seu fluxo de caixa. É nesse contexto que o crédito estruturado ganha protagonismo, ampliando sua relevância como fonte de liquidez para a economia real. Ainda assim, lacunas persistem, como a dificuldade de integração financeira, custos operacionais elevados e prazos incompatíveis com a dinâmica produtiva.
Nesse cenário, o avanço de plataformas especializadas ajuda a explicar a mudança no fluxo de capital no país. O Grupo Everblue, por exemplo, já concedeu R$ 3,6 bilhões em volume financeiro estruturado, refletindo a crescente demanda por alternativas ao crédito tradicional. Ao longo de sua trajetória, a companhia já realizou mais de 7 mil operações e tem atuação concentrada em soluções como capital de giro, antecipação de recebíveis, financiamento à cadeia de fornecedores e estruturas via securitizadoras e FIDCs. O movimento acompanha uma tendência mais ampla do mercado, em que empresas passam a buscar não apenas acesso a recursos, mas também integração financeira e maior eficiência operacional. Nesse contexto, plataformas que reúnem gestão de caixa, pagamentos, cobrança e conciliação em um único ambiente ganham relevância ao reduzir custos, simplificar processos e melhorar a previsibilidade financeira das companhias.
Na prática, a proposta da Everblue atua justamente na resolução dos principais gargalos enfrentados pelas empresas no acesso ao crédito. Ao estruturar operações lastreadas em recebíveis, contratos e fluxos recorrentes, a companhia consegue oferecer liquidez com maior aderência à realidade operacional dos negócios. Isso permite que empresas antecipem receitas, financiem suas cadeias de fornecedores e mantenham capital de giro sem depender exclusivamente de linhas bancárias tradicionais, muitas vezes mais lentas e restritivas. Além disso, a integração tecnológica reduz o custo operacional e melhora a tomada de decisão financeira, ao oferecer visibilidade em tempo real sobre fluxo de caixa, obrigações e oportunidades de alocação. Em um ambiente de juros elevados, essa combinação se torna estratégica: empresas que conseguem organizar sua liquidez e acessar crédito de forma eficiente preservam margens, evitam interrupções produtivas e mantêm capacidade de investimento. Em muitos casos, a adoção de estruturas como FIDCs tem sido determinante para sustentar operações e viabilizar crescimento mesmo em cenários macroeconômicos adversos.
Para Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, o avanço do crédito estruturado reflete uma mudança definitiva na forma como o capital circula na economia brasileira. “O que estamos vendo não é um movimento pontual, mas uma reconfiguração do mercado de crédito. As empresas não buscam apenas financiamento, buscam eficiência, previsibilidade e integração. Quando conectamos crédito, tecnologia e gestão financeira em um único ecossistema, reduzimos custos, aceleramos decisões e criamos condições reais de crescimento sustentável”, afirma. Segundo ele, o valor de R$ 3,6 bilhões em volume financeiro reforça esse novo momento do setor. “O crédito deixou de ser apenas um suporte e passou a ser um instrumento estratégico. Quem consegue estruturar bem sua liquidez hoje não apenas sobrevive a cenários desafiadores, mas ganha vantagem competitiva para crescer de forma consistente nos próximos ciclos”, conclui.