Análise XP abril 2026: Conflito no Oriente Médio pressiona os ativos globais
Fonte: XP Research.
Veja trechos do relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).
Análise XP abril 2026
Março trouxe maior volatilidade para os mercados globais após a eclosão do conflito no Oriente Médio. Como resultado, as bolsas globais encerraram o mês em território negativo (MSCI ACWI: -9,1%), enquanto as ações brasileiras passaram por uma correção moderada após a forte alta dos últimos meses.
O conflito no Oriente Médio e suas implicações permaneceram no centro das atenções. As tensões se intensificaram após o assassinato de importantes líderes iranianos, incluindo o líder supremo do país.
No entanto, o evento mais relevante para os mercados foi o fechamento do Estreito de Ormuz, que levou a uma forte alta nos preços do petróleo (Brent, US$ 118,4, +63,3%).
Embora, inicialmente, os mercados tenham precificado o conflito na expectativa de uma resolução rápida, o impacto negativo se aprofundou à medida que os investidores passaram a reavaliar a probabilidade de um confronto mais prolongado.
Olhando à frente, a duração do conflito e o momento de reabertura do Estreito de Ormuz permanecem incertos, mas os mercados já começam a incorporar os efeitos de um choque de oferta mais significativo para a economia global.
Uma das principais consequências foi a alta nas taxas de juros globais de curto prazo, à medida que o mercado passou a esperar uma postura mais dura (hawkish) por parte dos bancos centrais.
Ao mesmo tempo, tivemos decisões importantes de política monetária ao longo do mês, com a maioria dos bancos centrais mantendo as taxas inalteradas.
Nesse contexto, vimos uma reversão do momentum positivo dos emergentes. O ambiente de aversão a risco colocou em xeque as duas principais teses de investimento de 2026 até o início do conflito: metais preciosos e ações de mercados emergentes. Ouro (-11,6%) e prata (-19,9%) tiveram uma forte correção.
Ao mesmo tempo, os emergentes passaram a apresentar um desempenho negativo as ações americanas após três meses consecutivos de forte alta, especialmente os países importadores líquidos de petróleo, como a Coreia do Sul (Kospi, -23,2%).
Enquanto isso, a bolsa brasileira não ficou imune ao pano de fundo global, apesar do posicionamento relativamente favorável do Brasil nesse ambiente. A alta nas expectativas de inflação levou a uma abertura da curva de juros local. Como resultado, os setores domésticos cíclicos sofreram forte pressão.
O setor de Óleo & Gás, em especial Petrobras (PETR3, +26,2%; PETR4, +23,8%), tem sido importantes para evitar uma queda mais acentuada do mercado acionário brasileiro.
Nesta nota, fazemos uma análise aprofundada sobre as principais implicações do conflito no Irã para as ações brasileiras. Nesse contexto, o Copom iniciou o ciclo de afrouxamento com um corte de 25 bps na taxa de juros, em linha com as expectativas — que haviam sido revisadas de 50 bps pouco antes da reunião.
Embora o comunicado inicial tenha trazido um tom brando (“dovish”), a ata enfatizou que a “magnitude e a duração” do ciclo de cortes dependerão da evolução do cenário, em particular dos desdobramentos relacionados ao conflito no Oriente Médio.
Por fim, o pano de fundo micro também atuou como um fator negativo para a bolsa brasileira neste mês, uma vez que a temporada de resultados do 4T25 decepcionou.
A proporção de empresas que superaram as expectativas de receita, EBITDA e lucro líquido atingiu os níveis mais baixos de toda a nossa série histórica.
No entanto, como destacamos em um relatório recente (link), acreditamos que esses números fracos são mais um evento pontual do que um motivo de preocupação olhando para os próximos trimestres.
O Ibovespa encerrou o mês em queda, recuando 0,7% em reais e 1,8% em dólares, registrando seu primeiro mês negativo desde julho de 2025.
Porém, é importante notar que as ações brasileiras mostraram maior resiliência, à medida que os fluxos estrangeiros permaneceram fortes.
O setor de Óleo, Gás & Petroquímicos foi o principal beneficiado pelo conflito
Observando a performance setorial, vimos um desempenho negativo para a maioria dos setores em março. Os principais destaques negativos foram os setores sensíveis à taxa de juros, pressionados pela alta nas expectativas de inflação e pelas revisões para baixo na magnitude esperada do ciclo de cortes de juros no Brasil.
Os principais destaques foram:
Óleo & Gás (+21,7%), naturalmente o setor que mais se beneficiou da disparada dos preços do petróleo. Petrobras (PETR3, +26,2%; PETR4, +23,8%) e Prio (PRIO3, +21,5%) foram os principais beneficiários desse movimento.
Agro (+6,6%), impulsionado pelos segmentos de açúcar & etanol e grãos, também favorecido pela alta dos preços de commodities após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Por outro lado, os principais destaques negativos foram:
Educação (-15,4%), pressionado pela forte abertura da curva de juros.
Construção Civil (-17,6%), impactadas principalmente por MRV (MRVE3, -23,1%) e Direcional (DIRR3, 18,5%) também afetadas pela alta dos juros.
Por outro lado, a aprovação das mudanças na curva de subsídios do FGTS ajudou a sustentar parcialmente a performance das incorporadoras voltadas para baixa renda.
Volatilidade aumenta com o início da guerra no Irã
Embora a escalada das tensões geopolíticas traga volatilidade e riscos para os ativos locais, o Brasil está relativamente bem posicionado nesse ambiente, dada sua alta exposição ao petróleo e o potencial de continuar atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões diminuírem.
Para os mercados, o principal gargalo do conflito continua sendo o fechamento do Estreito de Ormuz. A passagem é crítica para o fluxo de diversas commodities, sendo o petróleo a mais relevante.
Desde o início do conflito, o Brent chegou a superar brevemente os US$ 110/barril, enquanto outras referências registraram altas ainda mais expressivas, como Dubai (US$ 130/barril) e Omã (US$ 160/barril), o que representa risco de um choque inflacionário global persistente e pressiona os ativos de risco ao redor do mundo.
Nesse cenário, o aumento da volatilidade global também não poupou o Brasil. Desde o início do conflito, observamos uma queda do índice, acompanhada de uma reversão a partir de níveis historicamente baixos de volatilidade, com a volatilidade do Ibovespa subindo de forma relevante.
Fonte de conteúdo: Relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Felipe Veiga (Estrategista de Ações), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações) e Lucas Rosa (Estrategista Quantitativo).
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