O fim do ano se tornou um dos períodos mais movimentados para os consultores e planejadores financeiros especializados em gestão patrimonial. É nesse momento que famílias de alta renda revisam carteiras, realizam planejamentos sucessórios e tomam decisões que influenciam o ciclo fiscal do ano seguinte. O movimento tem sido impulsionado por fatores como aumento da liquidez, avanço das heranças e reorganização de estruturas familiares.
Segundo levantamento, o volume administrado por gestores de patrimônio no Brasil já supera R$ 540 bilhões, o que mostra que o brasileiro de alta renda amadureceu sua relação com o planejamento financeiro e tem buscado cada vez mais estruturas de Family Office como alternativa à gestão isolada de investimentos. “O fim do ano é o momento em que as famílias param para avaliar resultados, rever estruturas societárias e definir a melhor forma de preservar o patrimônio. O papel do consultor financeiro é justamente trazer clareza, governança e equilíbrio emocional para essas decisões”, afirma Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.
Ele explica que dezembro é um período de forte movimentação entre empresários e famílias que buscam alinhar investimentos, reorganizar carteiras e antecipar estratégias sucessórias antes do fechamento contábil e da virada fiscal. Além da complexidade tributária, a alta dos juros e o ambiente internacional mais volátil aumentaram a busca por profissionais que ofereçam uma visão integrada entre finanças pessoais e corporativas, evitando decisões impulsivas. A estrutura de um Family Office envolve muito mais do que a gestão de aplicações financeiras. É uma estratégia completa de preservação e expansão patrimonial, que engloba planejamento tributário e sucessório, estruturação de holdings, governança familiar e administração de riscos.
Em um contexto de Selic a 15%, câmbio volátil e discussões sobre tributação de fundos exclusivos, cresce a necessidade de uma gestão técnica e profissionalizada. “A decisão mais inteligente não é tentar adivinhar o mercado, mas estruturar um modelo de gestão que funcione bem em qualquer cenário econômico”, complementa Assis. O executivo reforça que a previsibilidade é um ativo essencial para famílias empresárias, especialmente quando há múltiplas gerações envolvidas na tomada de decisão.
O fim do ano também é um período de alta liquidez. É quando entram dividendos, bônus corporativos e rendimentos de investimentos, além da necessidade de ajustar balanços e impostos. Para muitas famílias, esse é o momento ideal de reavaliar riscos, diversificar ativos e otimizar estruturas jurídicas. Um planejamento adequado evita tributações excessivas, reduz vulnerabilidades e aumenta o potencial de retorno de longo prazo.
O mercado de gestão patrimonial no Brasil cresceu mais de 40% em quatro anos, consolidando o país como um dos mais promissores para o segmento de alta renda na América Latina. A expectativa para 2026 é de um cenário de juros gradualmente menores, o que deve impulsionar ativos de risco e reabrir o apetite por crédito estruturado, fundos imobiliários e private equity. O papel do consultor financeiro será crucial para ajustar portfólios a essa nova dinâmica e orientar famílias na transição entre ciclos econômicos.
Além da rentabilidade, a governança financeira se tornou um diferencial competitivo entre famílias empresárias. Estruturas bem organizadas reduzem perdas em períodos de instabilidade, ampliam a eficiência fiscal e facilitam a continuidade dos negócios entre gerações. “Um bom Family Office não é luxo, é estratégia. Ele protege a família de decisões impulsivas e transforma o patrimônio em um projeto com começo, meio e continuidade”, conclui o CEO da Asset Bank.